9 de dez de 2010

HISTÓRIA DAS BOLSAS

 

No começo do séc. XIX as bolsas foram desenvolvidas em resposta as mudanças na indumentária feminina. As primeiras foram desenvolvidas para transportar objetos de
acordo com a classe social de cada mulher, como lenços de mão, leques, cartas, cartões de visita. Desta maneira tornaram-se indispensáveis na Inglaterra e consideradas
“ridicules” (ridículas) na França.
Com o progresso do século XIX, o termo francês “ridicules” passou a ser denominado “retícule”,termo este que foi usado tanto na França como na Inglaterra a partir
de 1912 para designar as bolsas da época.
As primeiras retícules foram confeccionadas com a mesma cor e tecido do vestido, como o veludo e a seda, ornadas com alças de cordões ou correntes. Muitas destas bolsas
foram feitas em casa por jovens que tinham habilidades manuais. As retícules tornaram-se essencial no traje feminino durante o primeiro império francês, o período
neoclássico entre 1804 até 1914. As retícules do século XIX, refletiam as mudanças da moda, e com o passar dos tempos, passaram a serem adornados com pérolas,
bordados, renda, fio de seda, cetim, couro, ráfia e madrepérola.
As primeiras bolsas para viagem surgiram na primeira metade do século XIX. Estas eram miniaturas das malas de viagem e vinham com fechadura, chave e compartimento para a passagem.

CHATELAINES
Em 1880, a princesa Alexandra, filha do rei da Dinamarca, que mais tarde casou-se com Eduardo VII da Grã Bretanha, e uma das líderes de opinião da moda da época, tornou-se popular o uso das Chatelaines, criadas a partir de conceitos medievais.
Estas pequenas e delicadas bolsas causaram um grande impacto na moda no final do século XIX.
As saias de crinolina (estrutura rígida usada em baixo das saias para dar volume), acompanhadas de bolsa chatelaine (pequena bolsa suspensa por correntes, colocada na cintura), que tiveram uma proposta funcional porque deixava as mãos das mulheres livres para carregarem as saias que eram volumosas. O balanço das correntes chamava a atenção para a cintura estreita das mulheres. Apesar da chatelaine ter sido popular na Inglaterra, ela foi vista pela primeira vez em Paris, poucos anos antes.
A bolsa Chatelaine, tornou-se um acessório de ostentação entre as mulheres do século XIX, principalmente durante o período em que a Reticule tornou-se antiquada em 1840 e depois em 1870.


BOLSAS COM MALHA DE METAL
As primeiras bolsas com malha de metal foram feitas por ourives em 1820, e emolduradas com pedras preciosas.
A primeira empresa responsável pelo lançamento das bolsas de metal foi Whiting and Davis Company, localizada na Pensilvânia, Massachusetts, foi fundada como uma empresa de joalheria em 1876. Seu primeiro nome foi Wade, Davis and Company, mas foi trocado em 1880 quando o jovem Charles Whiting se associou a empresa. Apesar de um trabalho duro, extremamente delicado e um desejo de desenvolver uma forma de arte medieval, o jovem Charles, alugou um escritório e tornou-se o proprietário majoritário da empresa.
Durante 100 anos, a Whiting and Davis Company foi responsável por desenvolver excepcionais bolsas de metal incluindo em sua coleção caixas para cigarro, isqueiro, suportes para cosméticos, carteiras, jóias e extravagantes roupas em metal. A empresa hoje é especializada em fazer equipamentos para mergulho e luvas de metal para proteger as mãos de trabalhadores com profissões insalubres.

BOLSAS BORDADAS
As bolsas em tapeçaria puderam ser vistas no começo do século XIX. Os temas com cenas históricas, inspiradas na literatura, escultura, pintura com figuras românticas de fauna e flora, foram muito populares durante os anos de 1820 até 1860. Os motivos trabalhados na tapeçaria foram muito significativos na reflexão social, histórica e intelectual dos artesãos da época. Algumas destas bolsas foram feitas com tapeçaria de parede ou pedaços de tecidos bordados.
As armações que podiam ser de ouro, prata ou aço, foram adornadas com pedras preciosas. As correntes podiam ser longas ou curtas e muitas vezes dupla. No século XX estas bolsas tornaram-se obras de arte.


SÉCULO XX
No século XX a moda deixou de ser encarada como frívola . As pessoas se convencem de que ela está ligada às modificações que atingem a sociedade em vários aspectos. Até o século XX a Europa era o centro da moda, mas com o advento de duas guerras mundiais, muitos hábitos referentes ao vestuário se modificaram. Os conflitos obrigam os países a desenvolverem enormemente as suas tecnologias.
No início do século, com o desenvolvimento da industrialização, a facilidade de locomoção mundial e, por conseguinte o aumento das exportações, uma grande quantidade de novas, e atraentes bolsas, passaram a ser comercializada por todas as partes. As bolsas tornaram-se um acessório indispensável ao mundo fashion, com novos e diferentes modelos surgindo à cada estação, especialmente desenhadas para ocasiões especiais e, mesmo, para específicas horas do dia.
No início de 1900, as mulheres começaram a ter uma participação mais ativa na vida diária das famílias. Ainda que muitas das compras fossem entregues e pagas à domicílio, começam a surgir grandes bolsas de couro, conhecidas como “bolsas de compra”.
A invenção do automóvel e a facilidade das viagens de trem foram responsáveis pelo surgimento das bolsas de viagem. Feitas de couro, em uma variação das bolsas de compras, estas eram feitas para acompanhar os viajantes e não eram entregues aos carregadores.

BELLE ÉPOQUE (1890-1914) 
O período que vai de 1890 a 1914 é conhecido com o Belle Époque (A Bela Época). Auge da era Edwardiana, que se caracterizou pelo bem viver, ostentação, luxo e extravagância da classe alta.
Na Belle Époque, os costureiros famosos determinaram umas modas clássicas, severas para os homens, sinuosa e pesada para as mulheres.Mas começaram a aparecer figuras revolucionárias na moda como Paul Poiret e Mariano Fortuny, que procurava reencontrar a simplicidade das roupas grego-romanas e iniciaram o esboço de grandes revoluções no mundo da moda. As bolsas que foram transformadas em acessórios necessários eram geralmente retangulares, pequenas, confeccionadas em tecido bordado ou malha metálica e sustentadas por correntes ou cordões. Grandes bolsas de couro eram fabricadas para as viagens de automóvel, que estão começando a virar moda. As bolsas para noite, muitas vezes utilizavam tecidos antigos, até coletes bordados dos séculos anteriores eram cortados para fabricá-las.
No Brasil,as regras do que fazer e como se vestir, vinham da França. Era do francês que se extraíam as palavras usadas para designar as peças do vestuário e acessórios brasileiros.

DÉCADA DE 20 
A bolsa dominante da década de 20, foi a de estilo carteira. Levada sobre os braços, foi muito usada tanto para o dia como para a noite. Sua superfície plana permitia a aplicação de bordados apliques ou estampas, refletindo as tendências dominantes da época. Para o dia usava-se bolsa pequena feita com pele de cobra, lagartos e crocodilos. Para a noite, com bordados e pedrarias coordenando com os vestidos apropriados para dançar, simbolizando o look dominante da década.
Livre dos espartilhos, a mulher começa a ter mais liberdade e já se permitia mostrar as pernas e usar maquiagem. Suntuosos e multicoloridos os bordados foram aplicados nas bolsas usadas com vários tipos de vestimentas da época.


MOVIMENTOS ARTÍSTICOS
O Art Nouveau é o nome dado ao movimento internacional que se espalhou pela Europa e os Estados Unidos desde o final da década de 1880 até a Primeira Guerra Mundial. O ArtNouveau estabelece uma linguagem onde as linhas curvas e fluídas, promovem assimetria e originalidade nas formas. Embora fosse um estilo explicitamente moderno, que rejeitava o historicismo acadêmico do século XIX, ainda assim buscava inspirar-se em modelos passados, sobretudo os desconsiderados e os exóticos, tais como a arte e a decoração japonesa, iluminuras e ourivesaria céltica e saxônica e arquitetura gótica.


DÉCADA DE 30
Apesar da crise financeira de 1929, (quebra da bolsa de Nova York) a década de 30 foi um período de produção, invenção e criação cultural artística muito intensa.
Com a crise financeira, os fabricantes de bolsa passaram a usar materiais mais baratos como o plástico Bakelite, que dava o efeito rígido e cintilante. A mulher desta época, devia ser magra, bronzeada e esportiva. O cinema foi o grande referencial de disseminação dos novos costumes.
Hollywood através de suas estrelas como Mel West, Greta Garbo e Marlene Dietrich, influenciaram a muitos na maneira de se vestirem.
As bolsas eram pequenas e arrematadas por fechos de metal, algumas fabricadas com o mesmo tecido dos vestidos.
No começo dos anos 30, as bolsas mantiveram um tamanho pequeno, sem muita ornamentação, mas no final da década, gradualmente foram ficando largas e mais sofisticadas, fabricadas com diversos tipos de couro como o de cobra, crocodilo, jacaré, bezerro, leão marinho, entre outros.
O look natural abriu espaço para as empresas de beleza produzirem as “beauty cases” (estojos de beleza) em versões sofisticadas. Em conseqüência a esta nova tendência, em 1935 os espaços internos das bolsas passaram a ser mais funcionais com compartimentos para maquiagem que vinham com espelho, porta batom e compartimento para dinheiro.
Brasil, o processo de transformações sucessivas no sistema da moda, incluindo aí a vestimenta , o penteado, atavios e acessórios, foi amplamente marcado por influências recíprocas da imprensa e depois pelo cinema. O aspecto de cores, cortes e decotes, os modelos de bolsas, chapéus e diferentes calçados, passou a ser ditado pelos personagens protagonizados por atrizes e atores dos grandes estúdios de Hollywood.


DÉCADA DE 40
Havia um impulso generalizado de satisfazer os desejos reprimidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Muitos materiais sumiram do mercado e foi preciso usar de muita criatividade para substituí-los. Em meio a toda agitação e transtornos provocados pela guerra, a década de 40, instiga pela adversidade, sendo uma das mais produtivas neste século.
Por causa da escassez da matéria prima, o artesanato se desenvolveu. As bolsas de couro eram raras, muitas foram confeccionadas em tecido. Empregava-se todo o material disponível, e todos se transformaram em artesãos. Durante aquele período não se podia separar a imagem da mulher dos acessórios artesanais, que faziam o charme de sua aparência.
Apesar de algumas bolsas já serem confeccionadas com o revolucionário zíper, houve uma restrição com relação ao seu uso e também com o fecho de metal, surgindo assim outros materiais como a madeira.
Em 1941 na França, em conseqüência a um decreto proibindo a fabricação das grandes bolsas de couro, tão apreciadas por sua capacidade de absorção, desaparecem pouco a pouco das ruas.
Com isso, as raras felizardas proprietárias de uma dessas maravilhas as valorizam ainda mais.
Objeto de cobiça porque raro, esse tipo de bolsa se presta facilmente à troca (lê-se às vezes nos classificados : “Troco pele por bolsa de couro”), ou ao mercado negro. Assim sendo, para substituí-las, algumas mulheres se contentam com produtos de substituição que enfeitam com bastante habilidade.
A moda está nas imensas bolsa-cestos, fabricadas em “couro envernizado, ou melhor, pele de cobra, sobretudo a píton, o fino do fino consistindo em prendê-las no cinto. Os alforje em tecido fazem furor e existem em diferentes versões, desde o utilitário até os mais sofisticados.
À primeira categoria pertence um modelo, bastante difundido, intitulado Restrições. Trata-se de uma bolsa grande, companheira diária da mulher, geralmente em tecido encerado, fechada por um cordão de franciscano. Dentro, pode carregar saquinhos de tecido bem leve que servem de disfarce para latas de “café”, “chá”, “açúcar”, “tíquetes”... sem que nada apareça. Em 1941, Lucien Lelong, em lugar de bolsas em couro, apresenta um modelo cortado diretamente na madeira e que tem o aspecto de um toco de árvore de perfil. A moda pega e são incontáveis as bolsas de madeira, polidas ou envernizadas, naturais ou tingidas, redondas ou quadradas, que invadem as cidades pouco tempo depois.

Restrições em Tempos de Guerra

DÉCADA DE 50
Nos anos 50, depois do baby-boom (nascimento de muitos bebês como decorrência da volta dos homens da guerra), a americana tornou-se mais caseira. Embora os anos 50 tenham fama de serem muito pomposos, a mulher adotou a linha casual, refletindo sua imagem de esposa e mãe exemplar. A televisão influenciou muito a moda americana, e era comum as mulheres copiarem roupas de atrizes e atores glamourosos como Doris Day e Elizabeth Taylor.
As bolsas estilo Box (caixa), tornaram-se populares no final dos anos 40 e início dos anos 50. Nesta década elas foram revestidas com couro de animais exóticos como crocodilo, cobra, lagartos, entre outros. As bolsa bracelete com um ou dois aros e com fecho, tornou-se popular nos anos 50.
Em 1953 foram lançadas novas propostas como a carteira e as pastas executivas para homens.
O bambo também foi muito utilizado na armação das bolsas. No Brasil, os olhos estão voltados para o Rio de Janeiro. As garotas começam a usar calça comprida e seguem a risca os conselhos das seções das revistas femininas, A Cigarra, O Cruzeiro e posteriormente a Manchete.
As bolsas ainda mantém o estilo carteira, modelo envelope e bolsa box em couro de crocodilo.
Nesta época não existia uma moda genuinamente brasileira, pois tudo era copiado de fora.
Nos anos 60, a juventude exige uma inovação no modo de se vestir, desprezando a sociedade de consumo, adotando uma aparência mais simples e despojada.
O movimento hippie, com seu vestuário ecologicamente consciente e anticonformista, exerceu uma influência indiscutível na moda. Tudo o que remetesse a uma época mais simples era apreciado. Isso explicou a retomada de técnicas artesanais, como o tricô, o crochê e o patchwork. Nos primeiros anos da década de 60, as bolsas ainda eram em estilo
carteira, recebendo motivos e padronagens decorativas em couro ou sintético. Algumas foram confeccionadas em tecido como o tweed e o tartan. O bambu e o acrílico forma muito usados para a estrutura das bolsas. Com o passar do tempo houve uma diversificação nos formatos das bolsas desde o mais artesanal até os mais sofisticados.
Os movimentos artísticos como o Op-Art (optical arte) e o Pop-Art (arte que usava objetos de consumo como tema), com o seu vocabulário formal geométrico, bem como o vocabulário formal de outras tendências artísticas, foram também adotadas pela moda. As bolsas receberam todas as influências desses movimentos com estampas geométricas, imagens ou formas de objetos de consumo do cotidiano. O movimento Flower Power, (poder das flores) um símbolo do direito à paz, promovido pelos hippies, revolucionou a moda dos anos 60, influenciado os designer na criação das bolsas. No Brasil, a moda dos anos 60, apesar de ser influenciada pelos movimentos artístico e musical da Europa e EUA, é também dominada pelos conceitos de luxo dos ateliês de alta-costura. As novas tendências são estudadas e previstas através das mudanças de comportamento, muito evidentes na década.


DÉCADA DE 60
A moda futurista representava como que um contrapeso à moda hippie, que pregava a simplicidade. Numa época em que a ficção científica aparecia nos livros e filmes dos beatniks, e em que era preparada a primeira viagem a Lua, tentava-se introduzir na moda elementos de visão utópica e tecnológica. Essa moda influenciou os designer, principalmente os franceses, no desenvolvimento de peças de vestuário e acessórios com placas laminadas, e sintético prateado.


MOVIMENTO POP ART
O movimento Pop Art foi a essência de um grande movimento cultural dos anos 60. A Pop Art não é um Estilo, mas antes uma palavra que reagrupa fenômenos artísticos intimamente ligados ao espírito de uma época. Ligada a palavra “arte”, a palavra “pop” leva a associação com numerosas características superficiais de uma certa sociedade. Os comportamentos inesperados e provocantes, a vontade de chocar e ferir, abolição de tabus e o fim de preconceitos eram parte integrante da cultura pop.
O pop é uma manifestação cultural essencialmente ocidental, nascido no contexto de uma sociedade industrial capitalista e tecnológica. A valorização da trivialidade praticada em todos os planos. O Kitsch e as recordações, as imagens da industria de embalagem e dos bens de consumo, não se tornavam apenas o conteúdo da arte, o tema dominante das ciências sociais, iam entrar mesmo nas coleções e nos museus.
Os objetos do universo do consumo tornam-se símbolos de uma época, fazem história e parte de uma nova cultura de massa. A arte é tudo, como expressão de um estado pessoal e como de uma integração social.

DÉCADA DE 70
A moda dos anos 70 é difícil de ser definida, nunca foi tão discutida, tão controvertida. Usou-se de tudo, e os estilos variavam de estação para estação. O movimento hippie dos anos 60, com seu vestuário ecologicamente consciente e anticonformista exerceu uma influência indiscutível nos anos 70. Houve um grande revival na moda, buscando inspiração no passado, contudo com uma cara nova. Uma destas correntes foi o New Romantic, tendência que privilegiava as estampas florais, acabamentos em renda, chapéus de palha e uma série de acessórios com ares românticos da década de 1930.
O estilo Liberty (padronagens com mini flores) adornados com bordados eram usados tanto nas roupas como nas bolsas. As bolsas com armação de metal, e as de estilo envelope, usadas na década de 30, voltaram a ser usadas.


DÉCADA DE 80
A principal característica da década de 80 - os anos decontrastes - é a de desenvolver o vanguardismo na moda com a proporção de novidades ou a reciclagem atualizada de idéias nostálgicas. Os opostos começam a conviver em harmonia (caro x barato, masculino x feminino, simples x exagerado). Não existe mais uma única verdade de moda e sim várias realidades.
As roupas e os acessórios transformaram-se em uma bandeira: eles demonstravam o que se sentia. As propostas são múltiplas para que cada um faça a sua própria escolha.
Pela primeira vez, coexistiram várias tribos, como os punks, new waves, rappers, skinheads, góticos, heavy metal, todos estes exercendo influência na criação de roupas e acessórios.
A bolsa estilo sacola, já usadas na década passada, vinha de encontro as necessidades das mulheres que trabalhavam fora e que procuravam praticidade para carregar inúmeros objetos para o dia-a-dia como agenda, calculadora, maquiagem, entre outros.
A nova geração de mulheres que sai para trabalhar, começa a usar com mais freqüência a pasta executiva. As bolsas e os sapatos coordenavam entre si. O trabalho torna-se excessivo e junto com ele a febre do fitness. O corpo é moldado pelas academias de ginástica, e nunca se falou tanto em cultura do corpo como nesta década. Juntamente com essa nova tendência, havia preocupação dos praticantes de esportes em coordenar suas roupas de lycra com suas mochilas de naylon.


DÉCADA DE 90
A moda dos anos 90 põe-se de acordo com o novo “grito de guerra” o minimalismo.
Termo tirado da vanguarda artística dos anos 70, o minimalismo justifica a simplicidade levada ao extremo.
As bolsas com suas cores, inclusive as cítricas, vieram avivar as coleções minimalistas. Enquanto algumas radicalizavam com cores e estilos diferenciados, outras eram simples mais clássicas, usadas para um visual contínuo. Acompanhando o avanço da tecnologia as bolsas passaram a ter compartimentos mais funcionais como porta celular, cartões, caneta e porta chaves.
Nesta década os designers reconheceram o poder que os acessórios, principalmente as bolsas mantinham na concepção de um look. As mulheres passaram a comprar mais acessórios como sapatos e bolsas do que roupas.
A moda dos anos 90 tornou-se menos rigorosa em relação às regras de etiqueta.
Nos anos 90 adquiriu-se o caráter de misturas, absorvendo diversas referências vindo de distintas realidades.
As bolsas passaram a ser desenvolvidas com vários materiais e os modelos foram ficando cada vez mais diversificados.

PAUL POIRET – (1879 – 1944)
Conhecido como o Imperador da moda da Belle Époque, Paul Poiret nasceu em Paris em 1879 .
Era filho de um comerciante de tecidos. Desde a juventude, quando foi trabalhar em uma fábrica de guarda-chuvas, passou a se interessar pela moda e a vender seus desenhos de roupas.
Em 1906 Poiret provocou uma verdadeira revolução na moda. A grande inovação foi afrouxar a silhueta formal das mulheres, eliminando o espartilho e reduzindo o número de roupas íntimas.
Em 1910 a Companhia de Balés Russos esteve em Paris e após a apresentação de Shérazade, peça que exibia figurinos criados por Leon Bakst, uma onda de orientalismo invadiu a cidade.
Poiret incorporou a tendência e adotou características com cores fortes, tecidos brilhantes.
Poiret afirmou orgulhosamente que a magia do oriente fora descoberta por ele há muito, mais precisamente em 1897, numa glamourosa exposição de tapetes do armazém Lê Bom Marche, que leva ao rubro os excessos do oriente, depois dos Balés Russos prepararem o terreno.
As bolsas também foram influenciadas pelo orientalismo, retratadas através de bordados com cenas orientais. Em 1919, Paul Poiret, volta sua atenção para a criação de acessórios.
Brocados, rendas, couros ornamentais, peles e inúmeras combinações foram usadas com suporte de madrepérola, marfim, prata e ouro, criando uma impressionante coleção de bolsas no começo do século XX.


CHANEL - (1883-1971)
Gabrielle Chanel nasceu em Saumur (interior da França), em 19 de agosto de 1883.
Sua fama no mundo da moda começou em 1909, já em Paris quando conheceu Etienne Balsan, um oficial da cavalaria francesa que a introduziu a um mundo de inúmeras festas, caçadas e corridas de cavalo. Quando abriu sua primeira loja em 1910, vendia chapéus.
Com o passar do tempo Chanel foi desenvolvendo novos estilos e produtos que se tornaram moda como o vestido chamisie (vestido inspirado nas camisas masculinas), calça boca de sino, tailleur, sapatos fechados na frente e abertos atrás, corte de cabelo estilo chanel, perfume, bijuterias e a eterna bolsa em matelasse de couro com alças em corrente dourada. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Mademoiselle Chanel como era chamada, fechou seu ateliê.
Ela acreditava que não era uma boa época para a moda. Em 1945, foi para a Suíça, voltando a Paris somente em 1954, ano em que retornou ao mundo da moda, reabrindo seu ateliê.
A clássica bolsa em matelasse, foi batizada de “2.55” (fevereiro de 1955), data de sua criação.

ELSA SCHIAPARELLI - (1890-1973)
Elsa Schiaparelli , nasceu em 10 de setembro de 1890 em Roma. Filha de uma família de intelectuais e aristocratas. Era famosa pelo estilo audacioso e por improvisar suas roupas.
Abriu sua primeira butique em sociedade com Gabrielle Picabia (Gaby), mulher do pintor francês Frances Picabia.

A sócia a apresentou a um grupo de amigos influentes no mundo das artes na França. Gaby trabalhava para Paul Poiret e usava roupas criadas por Schiaparelli o que acabou chamando a atenção do costureiro.
A influência de Poiret sobre o trabalho de Schiaparelli foi muito importante durante sua carreira na moda.
O trabalho de “Schiap” , como Paris a batizou, foi influenciado por pintores surrealistas como Salvador Dalí, Jean Cocteau, mas mesmo assim, ela não sacrificou a funcionalidade e a feminilidade em suas roupas e acessórios.
Gostava de cores fortes, zíperes e chapéus excêntricos. Seu processo de criação era de total liberdade.
Muitas vezes buscava inspiração em livros do Egito, na renascença italiana e nos circos. Salvador Dali desenhou seus bordados e ajudou a desenvolver uma bolsa com uma lâmpada interna em 1938.
No começo dos anos 30, auge de suas criações, Schiaparelli apresentou sua coleção inspirada no circo.
Acrobatas, elefantes, fizeram parte dos desenhos desta coleção, juntamente com bolsas em forma de balões.
Criou um modelo de bolsa em formato de concha que tocava música quando se abria.
Essa lendária criadora, será lembrada sobretudo sobre a influência das artes no processo criativo.

EMILIO PUCCI - (1914-1992)
mílio Pucci, nasceu em 29 de novembro de 1914 na cidade de Nápoles-Itália. Personalidade refinada, dotado de elegância natural, pertencia a uma das mais antigas e refinadas famílias da aristocracia italiana.
Pucci gostava de olhar as mulheres, aliás deve-se a uma de suas amigas sua entrada no mundo da moda.
Preocupado, com a própria imagem, Pucci já desenhava as peças de seu guarda-roupa pessoal.
Um dia ele ofereceu a uma amiga um traje de esqui que havia imaginado – uma calça comprida levemente justa acima dos sapatos com uma faixa de couro passando debaixo da sola do pé, um pulôver, uma camisa e por fim um casaco desenhado como uma parka com um capuz e um bolso na frente fechado com um zíper na cintura.
A fotógrafa Toni Frissell, que trabalhava para a revista Harper´s Bazaar , mostrou-se entusiasmada por aquele traje esportivo e sugeriu a Pucci que produzisse industrialmente suas idéias de roupas.
Pucci combinou simplicidade (combinação de cortes estudados com formas geométricas precisas), cor (concepção de tecidos exclusivos tanto para roupas como para acessórios) e por fim movimento (as roupas e acessórios, devem adaptar-se a ação e o comportamento de quem os usa).
Sexy em sua leveza e simplicidade, acompanhados de todo tipo de acessórios combinados (da bolsa ao guarda-chuva, do chapéu ao lenço, do cinto aos sapatos), os modelos de Pucci foram a partir de então fotografados em Lauren Bacall, Liz Taylor, Audrey Hepburn, Marilyn Monroe e Gina Lollobrigida.

MARY QUANT
Quant, estilista inglesa, começou sua carreira abrindo uma pequena boutique em Londres no ano de 1955, chamada Bazaar. Como não encontrava o tipo de vestuário que pretendia vender, ela começou a criar as suas próprias peças. Nos anos 60 a loja converteu-se num império internacional para o qual Mary Quant criou roupas, acessórios e produtos de cosméticos, tudo jovem e pouco complicado. A mini-saia que Mary Quant apresentara
em meados dos anos 60, teve um êxito estrondoso. Ela compartilhava com André Courrèges a invenção da mini-saia, muito embora ela própria atribuía sua origem as ruas. As primeiras bolsas desenvolvidas por Mary Quant, foram feitas nas cores preto e branco em PVC, decoradas com grandes manchas ou com seus famosos motivos em margaridas.
A flor de plástico com a qual Mary Quant enfeitou a sua moda Lolita, tornou-se final da década, um verdadeiro símbolo do direito à paz. Muitos jovens e adultos se sentiam atraídos pelo movimento Flower Power promovido pelos hippies. “Eu quero criar novas maneiras de fazer roupas com novos materiais juntamente com acessórios modernos que mudam conforme o estilo de vida das pessoas”.












 




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