8 de dez de 2010

A HISTÓRIA DA LINGERIE


HISTÓRIA DA LINGERIE

Várias peças e acessórios usados pelas mulheres compõem o que chamamos de lingerie, as conhecidas roupas de baixo. Formada por calcinhas, sutiãs, cintas-ligas, espartilhos e algumas outras peças, a lingerie desperta todo tipo de fantasias. Segundo Freud, a relação do erotismo com as roupas íntimas nada mais é do que o fetiche, ou feitiço. Isso acontece quando a satisfação pessoal se dá através de objetos. O cinema e as revistas também ajudaram a criar um clima de sedução e fantasia, despindo as musas de suas roupas e deixando-as apenas com suas roupas de baixo, cada vez mais bonitas.A lingerie passou por uma série de transformações ao longo do tempo, acompanhando as mudanças culturais e as exigências de uma nova mulher que foi surgindo, principalmente durante o século 20. A evolução tecnológica possibilitou o surgimento de novos materiais, que tornou a lingerie mais confortável e durável, duas exigências da vida moderna. Desde o tempo das vestes longas, usadas até pouco depois da Idade Média, passando pela ostentação dos séculos 17 e 18, quando era usado um verdadeiro arsenal de acessórios por baixo das grandes saias femininas, até o início do século 20, a mulher sofreu horrores em nome da beleza e da satisfação masculina. Os espartilhos, usados por mais de quatro séculos, causava sérios problemas à saúde, além do desconforto e da obrigação de ostentar uma "cinturinha de vespa". Os seios, foco da atenção por muito tempo, eram forçados para cima através dos cordões apertadíssimos dos espartilhos. As calcinhas, como são atualmente, passaram por drásticas mudanças. No século 19, eram usadas ceroulas, que iam até abaixo dos joelhos. O surgimento da lycra e do nylon permitiu uma série de inovações em sua confecção,que possibilitou até a criação de um modelo curioso nos anos 90: uma calcinha com bumbum falso, que contém um enchimento de espuma de nylon de vários tamanhos. Um acessório sensual muito usado na década de 20 foi a cinta-liga, criada para segurar as meias 7/8. Dançarinas do Charleston exibiam suas cintas-ligas por baixo das saias de franjas, enquanto se sacudiam ao som frenético das jazz-bands. Ainda nos anos 30, a cinta-liga era o único acessório disponível para prender as meias das mulheres, que só tiveram as meias-calças à sua disposição a partir da década de 40, com a invenção do náilon em 1935. Espartilhos, meias de seda 7/8, ligas avulsas presas às cintas, são usadas por muitas mulheres, mas não mais por uma imposição ou falta de opções, mas por uma questão de estilo ou fetiche, já que esses acessórios se tornaram símbolos de erotismo e sensualidade na sociedade ocidental. A lingerie atravessou o século 20 sempre acompanhando a moda e as mudanças de comportamento. Quando a moda eram roupas justas e cinturas marcadas, lá estava o sutiã com armações de metal, cintas e corpetes para moldar o corpo feminino. Na década de 60, com a revolução sexual, o sutiã chegou até a ser queimado em praça pública, num ato pela liberdade feminina. Uma geração de mulheres afirmava, em 1980, não usar nada por baixo das camisetas ou de seus jeans, mas os tempos mudaram e a moda trouxe tantas novidades em cores, materiais e estilos, indo do esportivo todo em algodão, ao mais sofisticado modelo em rendas e fitas, que as mulheres chegaram a gastar mais em roupas de baixo do que em qualquer outro item de guarda-roupa ainda durante os anos 80. A indústria de lingerie, que continua crescendo, aposta agora em alta tecnologia. É possível encontrar no mercado desde o espartilho no mais clássico modelo renascentista até o sutiã mais moderno, recheado de silicone, a última novidade.
fonte: almanaque.folha.uol.com.br

HISTÓRIA DA LINGERIE

Uma história bem antiga


Os primeiros registros que mostram modelos de "calcinhas" datam do ano 40 A.C., em Roma. Pedaços de algodão, linho ou lã eram amarrados ao corpo como fraldas. Faixas de pano também eram amarradas na altura dos seios. O uso de uma espécie de calção, inspirado nos culotes masculinos, foi introduzido no século XVI por Catarina de Médicis, que o utilizava para montar a cavalo. A partir desse século, a roupa íntima feminina, mais elaborada e produzida com tecidos claros, começou a distinguir-se mais da masculina, apertando mais a cintura e os seios, dando a impressão de quadris bem largos.

O desconforto do espartilho
No século XVII surgiu na Espanha o famoso espartilho, feito de tecido rígido que cobria apenas o abdômen com o objetivo de disfarçar as formas. Cada vez mais apertada para modelar o corpo, essa peça acabou obrigatória para mulheres, provocando desconforto e não raros desmaios. Os modelos que enclausuravam a mulher, achatando o busto, se consagraram nesse período. Uma longa camisa rendada isolava do corpo o corpete - uma verdadeira armadura que o moldava. Anáguas e calçolas completavam a indumentária feminina do século XIX.
O primeiro soutien
No final de século XIX, foi criado na França o precursor do soutien, numa tentativa de oferecer às mulheres mais conforto do que o repressor espartilho. A boutique de Heminie Cadolle elaborou um modelo em tecido à base de algodão e seda, semelhante aos modelos atuais. Em 1914 o soutien foi devidamente reconhecido e patenteado nos Estados Unidos pela socialite nova-iorquina Mary Phelps Jacob. Era feito com dois lenços, um pedaço de fita cor-de-rosa e um pouco de cordão. Ela resolveu vender a patente a uma fábrica de roupas femininas, a Warner Brothers Corset Company, por 15 mil dólares da época. Era o início da industrialização do lingerie, porém havia poucas opções de tamanho e o ajuste era feito por presilhas nas alças.

Sensualidade explorada
A década de 80 a cantora Madonna consagrou a exposição da lingerie, usando soutiens, corpetes e cintas-ligas como roupas, e não mais como underwear (roupa de baixo). O público feminino adotou a idéia e a explora até hoje. A indústria de lingerie, por sua vez, elabora modelos cada vez mais sensuais e de materiais confortáveis. Transparências passaram a revelar belos soutiens e corseletes, usados até mesmo em ocasiões formais. Perto do ano 2000, as alcinhas de soutien são propositadamente deixadas à mostra. Revelando que as roupas íntimas estão longe de servir apenas para manter a higiene e conforto das mulheres, mas fazer parte da moda e do arsenal de sedução.
Fonte:
http://www.lucitex.com.br/

HISTÓRIA DA LINGERIE

Do linho à Lycra Sutiã
Na Antigüidade, as egípcias não usavam nada por baixo de suas túnicas de linho e as mulheres de Atenas, na Grécia, tomavam banho, nas fontes da cidade, cobrindo o púbis com um triângulo de tecido preso por fios amarrados nos quadris. A Lingerie da Idade Média era simplesmente uma camisola longa, de mangas compridas, comum aos dois sexos, que tinha por finalidade evitar o contato da pele com os tecidos ásperos e pesados do vestuário da época. Além disso, a roupa íntima era usada pelas mulheres, para poupar as roupas caras, pesadas e difíceis de lavar, principalmente num período em que tomar banho estava longe de ser um hábito diário. A partir do século XV, os ingleses começaram a dar mais importância ao modo de se vestir e as roupas sofreram constantes transformações. Desde então, o modo de se vestir passou significar "status", cada classe usava roupas para caracterizar sua classe social. A Lingerie não ficou de fora. O uso de uma espécie de calção, inspirado nos "culotes" masculinos, foi introduzido no século XVI por Catarina de Médicis, que o utilizava para montar a cavalo. Ainda no século XVI, a roupa íntima feminina, mais elaborada e produzida com tecidos claros, começou a distinguir-se mais da masculina. Apertando mais a cintura e, posteriormente, os seios, o que dava a impressão de quadris bem largos. Quanto mais adornos as mulheres tinham, mais enfatizavam a riqueza e a imagem do homem que pagava suas contas. O volume das saias também significava riqueza. Daí surgiram os "saiotes", que ficaram cada vez mais numerosos e pesados, até serem substituídos por uma invenção espanhola: o "vertugadin", uma armação rígida adotada somente pela nobreza, pois as mulheres da plebe (classe baixa), que trabalhavam nos campos, precisavam de liberdade de movimentos. Ao final do período renascentista (séc. V ou XIII), as mulheres já usavam meias de algodão ou lã presas por ligas tecidas em lã.

Do linho à Lycra
Um dos primeiros modelos de calcinha é datado do ano 3000 a.C. na Babilônia. Mas foram os gregos que desenvolveram esta peça da roupa íntima feminina, enrolando no quadril uma faixa de linho que descia por entre as pernas para protegê-las e torneá-las. Na realeza do século XIV, enquanto outras peças do vestuário contavam-se às dúzias, as "calças de baixo", não passavam de duas mudas. Fora dos castelos, as cortesãs as usavam bordadas, e as atrizes e bailarinas as usavam por decreto lei. Já as demais mulheres passeavam com suas partes alegremente ao ar, isso, é claro, cobertas com saia ou vestido. No século XVII, as "calças de baixo" foram objeto de estudo para a medicina. Os médicos da época afirmavam que o uso diário produzia secura do útero, causando assim a esterilidade. Aliado à volta da moda do espartilho, outra peça foi adicionada à indumentária feminina: a "anquinha", uma armação também de arame trançado como um cesto de 30 cm de largura, presa por uma tira na cintura, que estufava os quadris. A "anquinha" foi substituída pelo "culo" (espécie de calda), dois séculos mais tarde. Esse utensílio deixava as mulheres estreitas de frente e protuberantes de costas. Em meados do século XIX, tanto a "anquinha" como o "culo" saíram de moda, dando espaço às "crinolinas". Realmente as "crinolinas" ocuparam espaço, pois eram confeccionadas com uma armação de tubos de tecido forrados com crina de cavalo (daí o nome). Na segunda metade do século XIX, a mulher toma literalmente espaço na sociedade com a "criolina".

"Entramos finalmente para o século XX"
Na primeira década do século, o costureiro Paul Poiret põe um fim aos espartilhos e a todos os tipos de corpetes, salientando a Lingerie como algo sensual. Uma conseqüência da insatisfação feminina, devido ao desconforto. Houve mudanças, mas não muito. A moda era um estilo retilíneo e afunilado para as roupas, o que dificultava o andar, obrigando as mulheres a usarem um corpete da cintura para baixo. A situação começa a melhorar já na década seguinte com o estilo revolucionário da costureira Coco Chanel, que costurava para si mesma e passou a ser copiada pelas mulheres da sociedade. Surgem os "calções" de tecidos finos. A inovação dos tecidos na década de 30 contribuem para a evolução. Os anos 50 forma o auge da revolução dessa peça. As divas do cinema americano ajudaram a popularizar e dar um toque mais sensual à calcinha, que, por não raras vezes, poderia ser vista, mesmo debaixo de tantas saias e anáguas. De lá pra cá, a calcinha tornou-se acessório indispensável na vida da mulher. Novas cores, modelos e tecidos que variam de acordo com as formas femininas proporcionaram maior conforto e praticidade, além é claro de charme, sofisticação e sensualidade.

História do Sutiã - Tortura cultural
O marco inicial foi o século XVI, quando as roupas femininas passaram a ser confeccionadas com tecidos mais claros, para diferenciar das masculinas. Com isso, veio também a tendência de cortes mais acinturados, deixando à mostra as curvas femininas, como os quadris e os seios. Contudo, apenas 100 anos mais tarde é que surgiu o espartilho na Espanha. Ao contrário do que se pensa, o espartilho não servia para modelar o corpo, mas para disfarçar as formas, uma exigência da época. O nome é espartilho porque eram feitos de esparto (uma gramínea utilizada na fabricação de cestos). A peças recebia também uma estrutura de barbatanas de baleia. Um pedaço de armadura de um cavaleiro, mas um espartilho usado no final da Idade Média. Cada vez mais apertada, essa peça acabou obrigatória para mulheres, o que provocava desconforto e por vezes até desmaios. Já nos séculos XVIII e XIX, os modelos que enclausuravam a mulher, achatando o busto, se consagraram. Uma longa camisa rendada isolava o corpo do espartilho.

O primeiro sutiã
No final de século XIX, foi criado na França o precursor do sutiã, numa tentativa de oferecer mais conforto do que o repressor espartilho. A butique de Heminie Cadolle elaborou um modelo em tecido à base de algodão e seda, semelhante aos modelos atuais. O sutiã foi devidamente reconhecido e patenteado em 1914 nos Estados Unidos pela socialite nova-iorquina Mary Phelps Jacob. Ele era feito com dois lenços, um pedaço de fita e um pouco de cordão. Diante da novidade, prática e mais higiênica, as amigas de Mary intensificaram cada vez mais seus pedidos. Foi então que ela resolveu vender a patente a uma fábrica de roupas femininas, a Warner Brothers Corset Company, por 15 mil dólares da época. Era o início da industrialização da Lingerie. Os primeiros modelos eram pouco inovadores e, em vez de realçar os seios, os achatavam. Havia poucas opções de tamanho e o ajuste era feito por presilhas nas alças. A partir da década de 20 a empresa americana Kestos lançou modelos mais próximos dos atuais, com pedaços triangulares de pano presos por um elástico que passava sobre os ombros, cruzava nas costas e abotoava na frente. Daí muita coisa mudou.
Fonte:
http://www.deluc.com.br/

A HISTÓRIA DAS ROUPAS DE BAIXO FEMININAS
Peças e acessórios usados pelas mulheres compõem o que chamamos de lingerie, roupas de baixo. Formada por calcinhas, sutiãs, cintas-ligas, espartilhos e outras, a lingerie desperta todo tipo de fantasias. Segundo Freud, a relação do erotismo com a roupa íntima nada mais é do que o fetiche. Isso acontece quando a satisfação pessoal se dá através de objetos ou ornamentos. O cinema e as revistas também ajudaram a criar um clima de sedução e fantasia, despindo as musas de suas roupas e deixando-as apenas com suas roupas de baixo, cada vez mais bonitas e elaboradas. A lingerie passou por uma série de transformações ao longo do tempo, acompanhando as mudanças culturais e as exigências de uma nova mulher que foi surgindo, principalmente durante o século 20. A evolução tecnológica possibilitou o surgimento de novos materiais, que tornou a lingerie mais confortável e durável, duas exigências da vida moderna. Desde o tempo das vestes longas, usadas até pouco depois da Idade Média, passando pela ostentação dos séculos 17 e 18, quando era usado um verdadeiro arsenal de acessórios por baixo das grandes saias femininas, até o início do século 20, a mulher sofreu horrores em nome da beleza e da satisfação masculina. Os espartilhos, usados por mais de quatro séculos, causava sérios problemas à saúde, além do desconforto e da obrigação de ostentar uma "cinturinha de vespa". Os seios, foco da atenção, eram forçados para cima através dos cordões apertadíssimos dos espartilhos. Também as calcinhas, como são atualmente, passaram por drásticas mudanças. No século 19, eram usadas ceroulas, que iam até abaixo dos joelhos. O surgimento da lycra e do nylon permitiu uma série de inovações em sua confecção, que possibilitou até a criação de um modelo curioso nos anos 90: uma calcinha com bumbum falso, que contém um enchimento de espuma de nylon de vários tamanhos e modelagens. Um acessório sensual muito usado na década de 20 foi a cinta-liga, criada para segurar as meias 7/8. Dançarinas do Charleston exibiam suas cintas-ligas por baixo das saias de franjas, enquanto se sacudiam ao som frenético das jazz-bands. Ainda nos anos 30, a cinta-liga era o único acessório disponível para prender as meias das mulheres, que só tiveram as meias-calças à sua disposição a partir da década de 40, com a invenção do náilon em 1935. Espartilhos, meias de seda 7/8, ligas avulsas presas às cintas, continuaram sendo usados por muitas mulheres, mas não mais por uma imposição ou falta de opções, mas por uma questão de estilo ou fetiche, já que esses acessórios se tornaram símbolos de erotismo e sensualidade na sociedade ocidental. A lingerie atravessou o século 20 sempre acompanhando a moda e as mudanças de comportamento. Quando a moda eram roupas justas e cinturas marcadas, lá estava o sutiã com armações de metal, cintas e corpetes para moldar o corpo feminino. Em 60, revolução sexual, o sutiã chegou a ser queimado em praça pública, num ato pela liberdade feminina. Uma geração de mulheres afirmava, em 1980, não usar nada por baixo das camisetas ou de seus jeans, mas os tempos mudaram e a moda trouxe tantas novidades em cores, materiais e estilos, indo do esportivo todo em algodão, ao mais sofisticado modelo em rendas e fitas, que as mulheres chegaram a gastar mais em roupas de baixo do que em qualquer outro item de guarda-roupa ainda durante os anos 80. A indústria de lingerie, que continua crescendo, aposta agora em alta tecnologia. É possível encontrar no mercado desde o espartilho no mais clássico modelo renascentista até o sutiã mais moderno, recheado de silicone, a última novidade.

ESPARTILHOS
Mais do que uma peça de roupa íntima da mulher ocidental, associada ao erotismo, repressão e dor, o espartilho moldou o corpo feminino de acordo com a história de cada período. Ele atravessou quatro séculos, sobreviveu a regimes políticos, mudanças de comportamento e cultura, guerras e diferenças sociais. Apesar de causar sérios problemas de saúde, o espartilho era considerado pela aristocracia um sinal de superioridade, já que era um obstáculo ao trabalho. A mulher modesta usava um corselete medieval, atado por cordões pouco apertados e amarrado na frente, ao contrário do corpete aristocrático, atado por trás, que exigia a ajuda de empregados. Mais importante do que a própria saúde, o uso do espartilho marcava a necessidade de se distinguir do povo. Com o passar dos anos, o espartilho sofreu muitas mudanças e chegou até a ser abolido por um breve momento da história, por causa da Revolução Francesa. Suas transformações seguiram as tendências da moda, que expressava o pensamento e modo de vida. Também o desenvolvimento de novos materiais e a especialização na confecção desta peça de roupa íntima contribuíram para o surgimento de novos modelos, mais confortáveis e práticos, até cair totalmente em desuso no início do século 20. A moda, entretanto, com suas eternas variações, trouxe de volta, por várias outras vezes, a cintura marcada e a necessidade de peças íntimas que a modelasse. A moda fetichista, no início dos anos 90, assumiu o espartilho como um símbolo de erotismo, da mulher dominadora e sexualizada.

HISTÓRIA DOS ESPARTILHOS
Desde o início do século 14, a preocupação era dar forma à porção central do corpo. Neste período, homens e mulheres usavam faixas apertadas em volta do corpo. Com o tempo, as mulheres passaram a usar saias longas e fartas. Somente a cintura era apertada, enquanto o resto podia fluir e criar volume. Até a Idade Média, os seios eram sustentados por corseletes, uma espécie de colete justo, que eram usados por cima de camisas e amarrados nas costas. Com o tempo, essa peça tornou-se mais rígida e pesada, até o surgimento do espartilho propriamente dito. Nenhuma época exaltou a beleza feminina como o Renascimento, um período de sensualidade e erotismo. Durante o século 15, a atenção estava toda voltada para os seios. Após o Renascimento, o vestuário tornou-se mais rígido, assim como a época. Apareceu o corpete pespontado, que dava ao busto o aspecto de um cone. Esse corpete era armado com uma haste (uma lâmina sólida feita de madeira, marfim, madrepérola, prata ou osso de peru, para os menos abastados) encaixada no próprio tecido. No século 18, o uso de barbatanas de baleia deixaram as hastes mais flexíveis e os espartilhos menos rígidos. Já no final do século, a haste central foi substituída por várias barbatanas. O novo espartilho comprimia os seios por baixo e deixava-os mais evidentes sob os decotes. A Revolução Francesa sacudiu a sociedade européia. As roupas voltaram a ser mais simples e práticas, levando a moda a outras camadas sociais. Pela primeira vez em séculos, as mulheres deixaram de usar suas crinolinas (uma armação feita de arcos de aço para moldar a forma das saias) e seus espartilhos. A moda era das transparências, e os seios eram sustentados por um corpinho de tecido. A idéia de que o corpo deveria ficar firme era muito forte, os espartilhos voltaram a ser usados. Vários modelos surgiram, acompanhando a moda do momento. Um desses modelos foi o corpete "à la Ninon", que trouxe de volta as barbatanas, na altura da cintura. No século 19, de 1804 a 1820, o espartilho parece mais um instrumento de tortura. É a moda dos seios separados, graças a um sistema de barbatanas inventado por um espartilheiro da época. A partir de 1815 os decotes ficaram mais profundos e a cintura, que era embaixo dos seios, voltou ao lugar normal, o que significava silhuetas finas e exigia espartilhos ainda mais terríveis. Em 1823, foi apresentado pela primeira vez um modelo mecânico, com polias, que podia ser atado e desatado sem a ajuda de outra pessoa. Em 1828, só existiam duas marcas registradas de espartilhos, mas em 1848 elas já somavam 64. Em 1832, o suíço Jean Werly abriu uma fábrica de espartilhos sem costuras, que já saíam do tear com barbatanas, hastes e armações prontos. Com o início da industrialização, foi possível fabricar modelos mais baratos. Em 1840, cordões elásticos, facilitou que as mulheres se vestissem e se despissem sozinhas. A partir dessa época, as mulheres superaram os homens na fabricação dos espartilhos, que começaram a ser moldados com antecedência e em série, iniciando assim a confecção. Até 1870, a mulher permaneceu comprimida, mas, a partir daí, a crinolina foi substituída pela "tournure" (uma espécie de almofada), que deixava a mulher com o perfil de um ganso, em forma de S, com os seios projetados para frente, e os quadris, para trás. Nessa época, existiam muitos modelos de espartilho à disposição, para todas as ocasiões. A invenção das barbatanas em aço inoxidável acabou com a luta das mulheres contra a ferrugem. No final do século 19, os espartilhos eram tão apertados que as mulheres não conseguiam mais se abaixar, além de possuírem um sistema complicado de ligas e prendedores de meias. Na Exposição do Trabalho de 1885, foram apresentados os seios artificiais, adaptáveis ao corpete, que podiam ser inflados. Em 1900, outro modelo terrível, cheio de enfeites, possuía um mecanismo metálico que incomodava as virilhas, obrigando as mulheres a se curvar. Os seios, novamente, eram projetados para frente, o que caracterizava ainda mais a forma de S. Em 1909, os trajes usados pelo balé russo de Diaghilev, grande sucesso em Paris, inspiraram estilistas como Paul Poiret, que revolucionou a moda, suprimindo a forma de S e trazendo uma linha mais leve e natural. Então as mulheres começaram a exigir novos modelos, que correspondessem melhor aos seus anseios. Seu modo de vida havia mudado e uma classe média de mulheres que trabalhavam começou a surgir, além da popularização da prática de esportes. A mulher continuou a usar o espartilho, porém ele já estava menor e mais flexível, permitindo movimentos mais livres e postura reta. Curiosamente, esse estilo mais natural fez surgir, em 1908, um espartilho longo que descia até os joelhos, impedindo a mulher de sentar-se. A morte do espartilho está intimamente ligada à Primeira Guerra Mundial. Com os homens ocupados, lutando na frente de batalha, as mulheres foram convocadas a assumir os trabalhos nos campos, nas cidades e nas fábricas. O trabalho operário exigia espartilhos menores, mais confortáveis e simples. Além disso, a burguesia não contava mais com grande criadagem, o que fez com que as damas optassem por modelos de corpetes mais simples e fáceis de vestir.
Durante os anos de guerra, os espartilhos foram, gradativamente, sendo substituídos por cintas. Os seios, porém, precisavam de algum suporte, já que o espartilho também servia para erguê-los. Foi nesse contexto que, um acessório que apareceu nos anúncios publicitários de lingerie a partir do fim do século 19, mas que ainda não havia conquistado todas as mulheres, passou a ser fundamental - o sutiã. A moda voltou a adotar a silhueta marcada, em 1940, trazendo de volta os espartilhos, porém mais leves. Novamente a guerra, dessa vez a Segunda Guerra Mundial, tratou de tirá-los de cena. Somente em 1947, com o "New Look", de Christian Dior, que valorizava as formas do busto e cintura fina, os espartilhos voltaram a ser usados. Nessa época, o estilista francês Marcel Rochas criou um modelador cintura-de-vespa que foi um grande sucesso. Na década de 80, os corpetes com barbatanas, que realçam o corpo, voltaram a ser apreciados. No início dos anos 90, com o fetichismo em moda, alguns grandes estilistas como Gianni Versace e Jean-Paul Gaultier lançaram espartilhos futuristas e que deviam ser usados para serem mostrados.

SOUTIEN
O que para muitos é apenas um pedaço de tecido, na verdade é uma das peças mais complexas que existe. Para confeccionar o sutiã é necessário uma mão-de-obra especializada e numerosa, já que muitas etapas de sua produção ainda não podem ser robotizadas. O sutiã do século 21 possui 43 componentes e um desenho complicadíssimo, o que o transformou em um produto de alta tecnologia. O fim da era dos espartilhos, início do século 20, se deu com o surgimento de uma nova mulher dinâmica, atuante, ansiosa por liberdade de movimentos e praticidade, uma exigência dos tempos de guerra. Nesse contexto, idéias de sutiãs já haviam surgido, como o inventado pela francesa Herminie Cadolle, primeiro em 1889, um modelo que permitia às mulheres um descanso dos penosos espartilhos, e mais tarde, uma versão mais parecida com o sutiã atual, feito com tecido à base de algodão e seda. A americana Mary Phelps Jacob, mais conhecida como Caresse Crosby, quem inventou um tipo diferente dos sutiãs da época, mais macio, curto e que conseguia separar os seios perfeitamente. Com a ajuda de sua empregada francesa, ela desenvolveu um modelo feito com lenços e fitas, que fez muito sucesso entre suas amigas, mas nem tanto quando resolveu comercializá-lo, após obter a patente de seu invento em 1914, mais tarde vendida aos irmãos Warner.

O SOUTIEN E O SÉCULO 20
No início dos anos 20, as liberadas jovens usavam vestidos mais curtos, com decotes nas costas e braços. Elas não queriam exibir seios opulentos, então usavam sutiãs especiais ou corpinhos, que achatavam o busto. Eram como faixas, amarradas nas costas, feitas com um pedaço de tecido leve, como cambraia ou crepe. Nessa época, as roupas de baixo eram brancas, pretas, bege ou cor-de-rosa. No início dos anos 30, o estilo "garçonne" saiu de moda e a silhueta feminina voltou a ser valorizada. Começaram a surgir tecidos elásticos, feitos com o látex, o que permitiu a fabricação de modelos mais confortáveis e uma maior diversidade de tamanhos.
Os irmãos Warner inventaram vários modelos revolucionários de sutiãs, feito com tecido elástico nos dois sentidos, em 1931. Mais tarde, criaram os bojos de profundidade variável e as alças elásticas. Em 1935, para aumentar os seios, surgiram os bojos com enchimento, e, em 1938, apareceram os sutiãs de armação, que deixavam os seios mais protuberantes. A atriz Mae West foi o símbolo dos seios acentuados, durante os anos 20 e 30. Em 1939, surgiu um modelo de sutiã com bojos mais fundos e pespontos circulares, que deixavam os seios pontudos e torneados, foi um verdadeiro sucesso de vendas, chegando ao seu auge na década de 50. Após a 2ª. GM, o náilon desenvolvido em 1935 começou a fazer parte da produção de roupas íntimas. Com ele, foi possível fabricar sutiãs leves, resistentes e com brilho. Dior e seu "New Look", trouxeram, no pós-guerra, a valorização das formas femininas. A moda era os "seios-globo", bem erguidos. A estética vigente era das "pin-ups", traduzida nas formas de atrizes, como Jane Russel e Sofia Loren. Surgiram, então, modelos de sutiãs, como o "very secret", de náilon, feito com almofadas de ar muito finas, para aumentar os seios pequenos.
Em 1955, foram criados novos modelos de renda preta e o sutiã peito-de-pombo, que aproximava os seios, deixando-os estufados. No início dos anos 60, o alvo dos fabricantes eram as jovens consumidoras, as adolescentes. Foram lançados modelos mais simples e delicados.
Esse novo conceito influenciou toda a linha de lingerie dessa época.
Em 1960, foram finalmente criadas as alças elásticas reguláveis, abolindo os colchetes, que eram usados por dentro das roupas para prender os sutiãs. Com a revolução sexual dos anos 60 e 70, as mulheres se permitiram não usar mais os sutiãs, último símbolo de repressão após os apertados espartilhos. Em 1968, algumas feministas queimaram seus sutiãs em frente ao Senado, em Washington, nos EUA. A moda era seios pequenos e atitude, surgiu sutiãs naturais, leves e transparentes, como a nudez. A partir dos anos 80, a indústria de lingerie viveu uma verdadeira explosão de tecnologia com o surgimento da lycra, que pode ser confeccionada com materiais mais finos e delicados. Combinada em pequenas proporções a qualquer fibra natural, a lycra permite o ajuste perfeito. A última grande mudança no conceito do sutiã foi o "outwear", usado para fora, na forma de bodys, bustiês, corpetes e sutiãs como roupas de sair. Madonna foi uma das primeiras a lançar essa moda, ainda no começo de sua carreira. Com o surgimento da lycra, das microfibras e outros novos tecidos, como rendas e algodões elásticos, cores e estampas, os sutiãs chegaram a um nível de sofisticação, qualidade e conforto. Pode-se, hoje, levantar, aumentar, aproximar ou separar os seios apenas usando o sutiã certo
.

Nenhum comentário: