7 de dez de 2010

A HISTÓRIA DO CHAPÉU


HISTÓRIA 
A palavra CHAPÉU provém do latim antigo "cappa", "capucho" que significa peça usada para cobrir a cabeça. As primeiras modalidades de proteção para cabeça surgiram por volta do ano 4.000 a.C. no antigo Egito, na Babilônia e na Grécia quando o uso de faixas na cabeça tinha a finalidade de prender e proteger o cabelo. A faixa estreita colocada em torno da copa dos chapéus da atualidade (a fita ou bandana) é um remanescente desse primeiro tipo de proteção para a cabeça.
Mais tarde originaram-se os turbantes, as tiaras e as coroas, usadas por nobres, sacerdotes e guerreiros como símbolo de status social. Como sinal de distinção social ou profissional permanecem até hoje os chapéus específicos destinados a pessoas que ocupam determinadas atividades (soldados, marinheiros, eclesiásticos, etc.). O primeiro chapéu efetivamente usado foi o "PÉTASO" por volta do ano 2.000 a.C. Tratava-se de um chapéu dotado de copa baixa e abas largas que os gregos faziam uso em suas viagens como uma forma de proteção. Era uns tipos práticos, ajustáveis, podendo ser retirado com facilidade, tendo perdurado na Europa por toda a Idade Média (de 476 a 1453). Na Antiga Roma (por volta do ano 1.000 a.C.), os escravos eram proibidos de usar chapéus. Quando eram libertados passavam a adotar uma espécie de chapéu semelhante ao barrete (boné em forma de cone, com a ponta caída para um lado), em sinal de liberdade. Este tipo foi revivido durante a Revolução Francesa (final do século XVIII), chamado de "bonnet rouge" e se tornou um símbolo do partido republicano durante a República. Outro tipo bastante parecido com o barrete foi o capuz, unido ou não a um manto, amplamente usado na Idade Média.


CHAPÉUS MASCULINOS
Depois da Renascença (século XIV-XVI), os chapéus masculinos adquiriram diversos formatos, sendo ricamente enfeitados, e usados pelos homens poderosos. Data desta época o aparecimento das boinas, na Itália, constituídas de uma peça circular de tecido franzido nas laterais, contendo uma faixa por onde passava um cordão ajustável. Alguns chapéus masculinos ainda guardam certa influência, sendo dotados de pequenos laços em seu interior destinados a ajustar seu tamanho. Outros tipos vieram a seguir, sendo um dos mais marcantes o chapéu de abas largas, enfeitado por peles, ou plumas de avestruz trazidos da América. O uso dos cabelos compridos em cachos (moda posta em vigor no reinado de Luiz XIV, na França, que usava longos cabelos cacheados, e imitado por seus cortesãos que começaram a usar também perucas de cabelos naturais), fez com que se começasse a dobrar as abas dos chapéus, primeiramente de um lado, depois dos dois, aparecendo um seguida, o tipo "Tricórnio" - com duas dobras laterais e uma dobra na parte traseira – este hábito durou mais de um século. Durante a Revolução Francesa (1789-1799), quando as vestimentas foram influenciadas de modo a torná-las mais simples, surgiram os chapéus de copa alta de formato côncavo, que se desenvolveram até darem origem às Cartolas. Em 1900, o Chapéu Côco feito de feltro de lã e/ou pêlo era o mais popular, aparecendo alguns anos depois os chapéus de palha, os do tipo marinheiro, etc., sendo que a grande maioria dos modelos se originou no Reino Unido.


CHAPÉUS FEMININOS
Os chapéus femininos evoluíram de forma diferente. Na Idade Média (476-1453), as imposições religiosas obrigavam as mulheres a cobrir completamente os cabelos. O abrigo mais simples era constituído por uma peça de linho, caída sobre os ombros ou abaixo deles. Os véus de noiva e as mantilhas das espanholas são sobrevivência da moda desse tempo. No século XIII, costumava-se prender a este véu, duas faixas: uma sobre o queixo e outra sobre a testa, de modo semelhante ao hábito que as freiras ainda conservam. No final da Idade Média, era hábito das mulheres colocar uma armação de arame com formatos de coração, borboleta, etc sob a peça de tecido tornando-os extravagantes. Os cabelos eram penteados para trás, escondidos, e, se cresciam na testa, eram raspados para que o chapéu fosse a atração principal. Em 1500 começa-se a usar os capuzes enfeitados com jóias e bordados. Muitos outros tipos surgiram até o final do século XVIII, quando apareceram as primeiras Chapelarias (lojas onde se comercializam chapéus), que utilizavam em seus chapéus materiais como a palha, o feltro, tecidos, enfeites variados e elaborados de forma a combinar com os penteados altamente sofisticados da época. Após a Revolução Francesa (1800), surgiram os gorros com abas largas, dotados de uma fita ou faixa que dava um nó abaixo do queixo. Confeccionados com materiais diversos (peles, cetim, veludo, feltro para o inverno e palha e tecidos finos para o verão) eram enfeitados com plumas e outros tipos de adornos. Em 1860, esses gorros foram substituídos por chapéus de tecido e/ou outros materiais que eram presos à cabeça com alfinetes ou grampos, vindo esse tipo a se tornar muito popular na época. No início do século XX os volumosos penteados da época originaram chapéus de grandes dimensões, que cobriam os penteados.


MODELOS MODERNOS
Nas primeiras décadas do século XX, os chapéus masculinos em suas formas e estilos, alteraram-se pouco em oposição aos chapéus femininos, que conheceram diversos tipos, com freqüentes variações, até mesmo segundo as estações do ano. Depois da década de 30 e até hoje, os chapéus passaram a ser encarados como um acessório de vestimenta e proteção. Nos países tropicais, o uso dos chapéus tem função protetora contra o sol e contra as intempéries. Nos países e climas frios, o chapéu tem uso mais freqüente, sobretudo como proteção do vento e temperaturas baixas. O chapéu é também um acessório importante de vestimenta para caracterizar personalidade de uma determinada pessoa através de suas diferentes formas, materiais e cores.

INDÚSTRIA DE CHAPÉUS
Os materiais mais empregados tradicionalmente na indústria de chapéus são o feltro, a palha e o tecido. O primeiro é obtido tanto do pêlo de animais (coelho, lebre, castor, nútria e carneiro) - originando diferentes tipos e qualidades. Na categoria das palhas, incluem-se diversos tipos de fibras vegetais (folhas e caules), como a juta, o sisal, a ráfia, seagrass,etc. Além de misturas variáveis que resultam em produtos mais rudes (geralmente usados em artesanato), até materiais industrializados e mais refinados (como o Panamá), atualmente a tendência é a utilização de materiais artificiais, principalmente nos chapéus destinados ao abrigo das intempéries, no sentido de impermeabilização. O maior produtor mundial de chapéus é os EUA. No Brasil, os Estados que produzem mais chapéus são São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Ceará.
Embora importe alguns tipos de chapéus, o Brasil também exporta outros tipos, sobretudo os de feltro de lã e os de palha de carnaúba. Os materiais usados na confecção de chapéus variam conforme os países e as regiões, dependendo das substâncias disponíveis ou dos costumes das pessoas. Em geral o material deve ser usado dependendo sempre do feitio e da função do chapéu. Por exemplo, os chapéus para chuva geralmente são à prova d'água e os chapéus de verão são feitos de palha e tecido leve.

A VOLTA DO CHAPÉU
Servia como fator de distinção de classes na sociedade, com o tempo caiu em desuso, mas agora volta como uma das grandes apostas de grifes nacionais e internacionais.
A palavra provém do latim antigo "cappa", "capucho" que significa peça usada para cobrir a cabeça. Os primeiros modelos surgiram por volta do ano 2.000 a.C.. Tratava-se de um chapéu de copa baixa e abas largas que os gregos usavam em suas viagens como uma forma de proteção.
Era um tipo prático, ajustável, podendo ser retirado com facilidade. Ele foi usado na Europa por toda a Idade Média. Na Antiga Roma, por volta do ano 1.000 a.C., os escravos eram proibidos de usar chapéus e por isso, quando eram libertados passavam a adotar o barrete, um boné em forma de cone, com a ponta caída para um lado, em sinal de liberdade.
Este tipo foi revivido durante a Revolução Francesa, no final do século XVIII, chamado de "bonnet rouge" e se tornou um símbolo do partido republicano durante a República.
Mas foi depois da Renascença, nos séculos XIV-XVI, que os chapéus masculinos adquiriram diversos formatos, sendo ricamente enfeitados, e usados pelos homens poderosos. Data desta época o aparecimento das boinas, na Itália, constituídas de uma peça circular de tecido franzido nas laterais, contendo uma faixa por onde passava um cordão ajustável. Também durante a Revolução Francesa (1789-1799), quando as vestimentas foram influenciadas de modo a torná-las mais simples, surgiram os chapéus de copa alta de formato côncavo, que se desenvolveram até darem origem às cartolas. E assim, até os anos 50, nenhum homem elegante saia de casa sem chapéu, mas com o boom dos movimentos estudantis, a partir dos anos 60, para se diferenciar dos seus pais, os jovens passaram a ignorá-lo. Somente nos últimos meses, com a aposta de grandes nomes da moda internacional, o acessório voltou a entrar em cena e o que era antigo virou cool.


CHAPÉU
O chapéu (vocábulo que deriva do francês antigo chapel, atual chapeau) é um item do vestuário, com inúmeros variantes, que tem a função principal de proteger ou enfeitar a cabeça, servindo ainda para indicar hierarquia, função, condição social ou até mesmo o local de origem.
Várias palavras estão relacionadas ao chapéu e seu uso, confecção e tipos. Chapeleiro é aquele que confecciona o chapéu, ao passo que a chapelaria é o local onde este é feito ou vendido. Já chapeleira é a caixa onde o mesmo é acondicionado. O hábito antigo de saudar alguém tirando-se o chapéu era denominado chapelada. Nas casas, no comércio e em repartições públicas até meados do século XX o porta-chapéus era um móvel presente e indispensável - uma vez que as regras de etiqueta não permitiam o uso do adereço em lugares cobertos.
Copa é a parte superior do ornamento, cujo lado interno tem a boca, ao passo que aba é o rebordo proeminente, externo. Na parte interna tem-se o forro e a carneira; são ainda partes do chapéu a faixa e a pala, respectivamente a faixa externa e o "corpo" da aba. Muitos formatos, entretanto, não possuem esses componentes. Para a confecção do chapéu usava-se o arcão, máquina destinada a dar o formato curvo (em arco, donde o nome) à lã com que se fazem chapéus de feltro (uma camada desse material é usada como reforço, chamada, por sua vez de capada). A copa é feita em fôrmas, em diversos tamanhos, obedecendo a numerações que são variáveis, até mesmo entre fábricas. As abas eram feitas num instrumento denominado formilhão, ao passo em que a boca da copa é determinada pela formilha. A tira de couro, usada para reforço nos chapéus masculinos, é chamada de carneira, e é colocada na parte interna, próximo à aba. O casco é como se chama, nos chapéus femininos, à armadura que recebem para dar-lhe o formato. Cinteiro é o laço que orna o chapéu; já o cocar eram os adereços, como penachos, que os distinguiam. (Chapéus antigos chegavam a ter fivelas). Diz-se gebada à pancada que se dá, no chapéu, para que se amasse, apresentando curvaturas. Evolução do chapéu em pele de castor canadense propriagem é o trabalho de acabamento, feito pelo chapeleiro, depois de tinto o chapéu. A pelota é a almofada usada por estes a fim de alisarem o chapéu, depois da engomação. O egrete, confeccionado em penas finas e compridas, especialmente das garças, foi um enfeite bastante usado em chapéus femininos no século XX. O tope é o nome do laço de fita, que por vezes enfeitava tais modelos. O uso do chapéu variava conforme a moda. Assim usá-lo a zamparina era o modo de inclinar o adereço inclinado para frente e à direita, entre os séculos XVIII a XIX.


BONÉS E GORROS
Tem-se, para tais ornamentos, partes específicas, que podem ou não estar presentes, a depender do seu uso ou modelo. Assim, a pala estará na parte inferior frontal da barretina ou boné militar, e outros. A orelheira é o apêndice que protege as orelhas, e o tapa-nuca o destinado à proteção do pescoço. A viseira é a pala prolongada dos bonés.

HISTÓRICO
O chapéu surgiu para a proteção da cabeça, ainda nos povos primitivos da pré-história, das intempéries climáticas (sol escaldante, frio, chuva), como prerrogativa masculina - sendo o homem o responsável pela defesa da tribo ou do clã, sendo depois estendido para a caracterização dos níveis sociais: os reis usavam coroas, os sacerdotes a mitra e os guerreiros o elmo. Teriam, assim, nos mais primitivos formatos, uma espécie de gorro feito em couro, ou em tecido, nos antigos turbantes já presentes cerca de 4.500 anos a.C. Cerca de 3000 a.C., na Mesopotâmia, surgem os chapéus que trazem um misto de elmo com capuz, que uns mil anos depois (2.000 a.C.) evolui para um formato mais aprimorado. Torna-se, neste mesmo período, um adereço de dignidade, nobiliárquica, militar e sacerdotal do Antigo Egipto [1]. O primeiro chapéu que encontra em suas formas mais semelhantes com o formato "clássico" (ou seja, contendo as partes principais do adorno), é o pétaso grego, cuja origem remonta ao século IV a.C., junto ao píleo. O primeiro encontrou sua forma romana, junto ao capucho, sendo este povo o primeiro a criar um capacete.


REFLEXOS DE POLÍTICAS
Inglaterra e França, eternos rivais, travam grandes batalhas pela supremacia do poder econômico na Europa tentam proteger seus mercados ao mesmo tempo que um tenta enfraquecer o outro. Uma delas atinge em cheio a produção têxtil, a moda, a produção de chapéus. Os dois países, em 1700-1721, disputam o mercado externo para seus produtos derivados do algodão, lã, linho e cânhamo cultivados em suas colônias.
A Inglaterra após suspender o banimento dos algodões estrangeiros, pela metade do ano de 1700, desenvolveu vários processos de beneficiamento assim como máquinas de tecelagem, mantendo tudo em segredo, mas, cujo segredo foi descoberto indo parar na Nova Inglaterra, Estados Unidos, levados por Samuel Slater. Os americanos de posse de grande quantidade de matéria prima e tecnologia, em 1793, desenvolveu o gim, tornando-se o 3º maior exportador no ranking mundial em 1830. O mesmo ocorrendo na França do futuro Luis XV, ainda sob tutela do Regente. A França começa a perder a disputa já no próprio quintal, quando em 1723, após a reedição do edital de banimento do algodão importado, ao impor as mais terríveis punições a todos seus cidadãos que fossem flagrados com estoque do produto importado da Ásia, mais especificamente, da Índia, colônia do Império Britânico. O linho, algodão ou tecidos de fibras mistas mais populares vinham da índia. O algodão estampado, com cores vibrantes, o chintz, era o material que as pessoas do povão utilizava em suas vestimentas. HIPERLINK (Do chintz originou-se a palavra que no Brasil identificamos como chita designando tecido rude e barato, em fio de algodão, com estampas coloridas). As punições aplicadas aos homens que desobedecessem as ordens reais iam de multas e envio para as galés, simultaneamente, e em caso de reincidência o banimento para as colônias. No caso das mulheres, costureiras e profissionais do ramo, a punição era mais severa, pois, o banimento era perpétuo. Na verdade, a punição maior era para aquelas, solteiras, que se insurgiam contra os castigos. Essas mulheres eram obrigadas a servirem como prostitutas, sendo oferecidas aos militares, começando pela polícia encarregada de as prenderem. As mulheres casadas e com filhos ou as que apenas tinham filhos, as perseguições recaíam sobre aqueles, até que ela aceitasse o degredo. Oito meses após a reedição do edital, como estratégia para escaparem dos castigos e dos riscos de serem submetidas à prostituição, as mulheres começaram a deixar o país levando para fora seus estoques e material de costura. Tais fatos ocorreram nos dois países em disputa comercial e política e, durante muitos anos ficou sob segredo até que foram revelados por um professor de uma universidade da Inglaterra. Enfim, todos os esforços para proteger o mercado francês tinham falhado. Para sair da enrascada a França passou a comprar o fio da Índia e só nos anos 1750 e 1760, após tentativas para melhorar a qualidade do seu produto desistiu, pois, além de não suportar o poder inglês, outro concorrente, ainda pequeno, despontava incomodando: os Estados Unidos da América do Norte. A concorrência americana também abateu o mercado interno inglês. Na briga do que se pensava estar acontecendo entre cachorros grandes, o Novo Mundo começava a ser uma realidade.


LOUCO COMO UM CHAPELEIRO
O reinado de Vitória 1837 a 1901, em que pese à política de moral pública, o rigor não se estendia à moda que diante das avassaladoras descobertas do grande Séc. XIX que se iniciava. A corte, mesmo inclinando-se a sobriedade da rainha, não se despia da vaidade. O reinado da rainha Vitória, portanto, durante sessenta e três anos de vigência, não absteve-se da moda dos chapéus.
Os chapéus alcançaram seu excesso de adornos com uso de aves empalhadas como ornamentos dos chapéus e ainda nesta era eduardiana (Eduardo VII filho da rainha Vitória coroado em 1902, abrindo o século XX para a expansão da moda inglesa), na Inglaterra, foi criado um instituto de proteção às aves já com a preocupação ecológica - Royal Society for the Protection of Birds - .(chapéus flamboyant da era Eduardiana a chamada época de ouro da elegância exportada pela Inglaterra). Interessante observar que, a Inglaterra da era eduardiana, ao contrário da França no mesmo período, os chapéus não eram privilégio só da corte e dos ricos. Neste século início do século XIX, e antes, ainda na era vitoriana, depois das explosões da era industrial que fortaleceu sensivelmente a Inglaterra como pólo de exportação de moda, principalmente, os produtos usados na fabricação de roupas e chapéus ficaram bem mais acessíveis. Com exceção dos mendigos, abaixo da linha de pobreza, todo cidadão inglês, rico/pobre, criança/velho tinham acesso ao chapéu.


CURIOSIDADE
Constantemente os chapeleiros por usarem um tipo de química venenosa (base de mercúrio) para tratar e preservar o brilho das plumas de aves usadas pelas senhoras da corte da era eduardiana eram contaminados por metais pesados que lhes atacavam o sistema nervoso central. A toxicidade deste produto químico era tanta que muitos artesãos apresentavam sintomas de graves danos ao sistema nervoso central, como a síndrome de Dança de São Vitor , caracterizada por contínuos movimentos involuntários dos músculos da face e das extremidades, chegando a convulsões. Daí o uso da expressão "louco como um chapeleiro" ( mad as a hatter ).
O uso do chapéu alcançou sua consagração total quando nenhuma criança, senhorita ou senhora ousava sair de casa sem que a cabeça estivesse protegida por um chapéu. O mesmo padrão de etiqueta era seguido pelos homens. Nesse ponto, somente os pedintes não usavam chapéus. Eram os sem-chapéus. A etiqueta estava sempre lembrando o quanto era deselegante sair de casa se não estivesse usando chapéu e luvas, tanto para homens quanto para mulheres e crianças.
Parece mesmo não haver origem garantida para a palavra chapéu: chapeau, anteriormente chapel, em francês. Uns afirmam que viria do latim popular cappellus, diminutivo de cappa. Mas uma capa, necessariamente, não cobre a cabeça. O cappellus precisaria de um caput ( cabeça ), ou do afrancesado chapuis. Usando-se a palavra chapeau, que significa a parte superior e arredondada do champignon, chegamos mais próximo. Como chapel poderia ser uma corruptela para a palavra chapelle, capela ( capellus outra vez ), onde o uso de cobrir a cabeça é antigo, entre os religiosos, temos aí outra possibilidade. Mas a querer embrenhar-se pela etimologia da palavra, vamos acabar com uma karebaria, ou dor de cabeça em grego. Se não se consegue chegar à origem da palavra do nosso chapéu, fica quase impossível precisar quando foi que o primeiro humano fez uso de pele de animal e com ela cobriu a cabeça como proteção contra as intempéries. Com isto não se pode dizer que neste momento teria surgido o chapéu na forma e concepção que hoje se tem. Apenas imagina-se que com tal ato descobriu-se as vantagens de se cobrir a cabeça, mas, o costume vem acompanhado o homem em toda sua evolução. O que ressalta a possibilidade de que a necessidade do chapéu tenha sido uma invenção masculina está no fato de que nas lutas pela caça, nas guerras por tomadas de domínios, os homens tenham sentido a necessidade de cobrirem as cabeças contra agressões mortais. As primeiras armas, as pedras, com certeza, deveriam ser motivos de baixas entre os contendores e esse raciocínio leva a idéia de que os capacetes, os elmos foram os primeiros chapéus utilitários militares para os homens. O primeiro registro da existência do que se entendeu como um chapéu foi descoberta em Tebas, mais tarde, outra em Pileus que tinha o formato de uma capa de pele com capuz, identificada pelos estudiosos, como "capa da liberdade" que era dada aos escravos, na Grécia e Roma, quando estes se tornavam homens livres. Todos, portanto, seriam chapéus masculinos. Da Grécia Antiga, passando pelos Bizantinos e eclesiásticos, a moda dos chapéus mescla culturas, usos e costumes que chegam aos nossos dias sem que, ordinariamente, se tenha muita noção do tanto de informações históricas que nos comunicam fatos relevantes da Humanidade. Alguns tipos de coberturas usadas na cabeça acabaram por se transformar em símbolos do status da autoridade/hieraquia militar no uniforme e enquanto o tempo passava, transformaram-se em um formulário de arte social bem como um acessório diário da vestimenta, mantendo sua função de protetor da saúde. Tanto nas culturas ocidentais como nas orientais e asiáticas, a religião exigia o recato, e o Poder do rei, para o reconhecimento da importância do estrato social dos seus súditos, embora estes, quando diante do rei eram obrigados a despojarem-se de seus chapéus como sinal de subserviência. Nunca se usava chapéu na presença do rei ou da rainha e, somente eles cobriam a cabeça com sua coroa ou ornamentos reais, não permitidos aos súditos. Hoje em dia muitas culturas exaltam e exigem que permaneçam dentro dos costumes mantendo as tradições, como é o caso do chador/burka de exclusivo uso feminino na religião muçulmana.


CHAPÉU: PARA QUE SERVE?
Serve como proteção contra impacto, frio, calor, chuva, orvalho, infecção, contra barulho e insetos, para colaborar no equilíbrio psicológico em caso de perda de cabelos etc .
A maioria dos estilos de chapéus, os mais conhecidos e usados até nossos dias, tem sua origem nas toucas simples confeccionadas em tecidos para uso de bebês, crianças, adolescentes e senhoras. Eram usadas até na hora de dormir por homens e mulheres de épocas remotas.
Se consideramos que cerca de 85% do calor do nosso corpo é perdido através da cabeça, então em situação de repouso, quando a circulação do sangue diminui sua atividade, demonstra necessidade de proteção. Por este motivo, desde tempos os mais antigos, os bebês são protegidos por toucas não apenas em dias ou países de climas frios, quando requer que o tecido seja capaz de, não apenas reter o calor, mas aquecer, assim também em dias quentes e de sol, o tecido deve ser leve para oferecer circulação de ar e que a touca tenha abas para proteger os olhos contra o excesso de luz. O mesmo vale para os adultos. Para proteção dos cabelos, dos olhos e da pele. Contra os ventos, contra a poeira, umidade, contra a desidratação ou raios solares. Em viagens, de avião e de automóvel, é super indicado o uso de boinas, gorros, bonés, ou cloches, chapéus leves e de abas pequenas, ajustados à cabeça. Modelo, material usado na fabricação, cores e ornamentos ficam na dependência não apenas das estações, como também dos formatos de rosto, hora em que será usado, gosto pessoal. Por força de uma calvície precoce a peruca usada por Luis XIII (1624) pôde ter outras aplicações. Para as classes altas e médias, além da função de amenizar o mal estar psicológico provocado pela falta de cabelos, a peruca servia aos que não apresentavam calvície ao encobrir a epidemia crônica de pediculose ( piolhos ) o que paradoxalmente estimulava-se à manutenção do habitat. O motivo que levou Luis XIII ao uso de um protetor de cabeça é o mais ilustrativo caso de necessidade de apoio psicológico e, portanto, benefício à saúde mental.
Neste aspecto contextual, por tratar-se da maior representação do poder, naturalmente a imitação foi seguida pela nobreza, com a devida permissão - e continuada por Louis XIV, filho de Luis XIII, e, gloriosamente ampliada para a moda por Luis XV, pode-se entender que as perucas usadas nas cortes européias possam ser consideradas os primeiros chapéus como acessório da moda ocidental, pois sua confecção significava mais um direcionamento para a economia. Para sustentar a produção em escala ( dentro dos parâmetros da época, imaginando-se que nenhum nobre tivesse apenas ou duas uma perucas ), exigia mão de obra especializada de artífices e matéria-prima. Eram adotadas como adornos de moda, pois variavam em seus estilos individuais e materiais empregados, quando usadas, principalmente, pelas mulheres.


ARMARIA MEDIEVAL PARA CABEÇAS FEMININAS
O véu, emblema feminino de modéstia, submissão e respeito não originou-se no Egito, como assinam alguns historiadores e especialistas em moda, pelo fato de que no Egito as mulheres eram consideradas com os mesmos direitos masculinos, livres para ir e vir, mas, teria sido nos haréns do Vale da Mesopotâmia este berço da civilização.
O cloche muito usado pela Princesa de Galles, Lady Diana, tem suas origens, exatamente na armaria Inglesa de 1515 quando o comércio havia sido estimulado no reinado de Henry VIII.
Símbolo de recato o véu apresenta uma trajetória de longo período, por séculos e milênios até nossos dias. A moda através dos tempos demonstra que tudo o que se pretenda criar como algo novo não passa de derivação do mais remoto passado e que de todos os estilos e modelos que persistem, apenas o snood mantém a característica das toucas primitivas feitas de pele animal para o aquecimento da cabeça e protegê-la contra impactos. Nenhum adorno de cabeça ou de cabelos deixa de encontrar na História longínqüa e, insistimos, o que se entende como novo nada mais representa do que uma adequação a situações e fatos econômicos, políticos e tecnológicos que constroem a História. Assim, a cada estilo ou modelo de moda corresponde um reflexo de situação histórica local ou mundial. O chapéu feminino em sua forma estrutural como a conhecemos, há quem afirme, não surgiu antes do século XVI. Curiosamente a teoria de que o chapéu é uma invenção masculina e não teria surgido antes do século XVI está corroborada com maior clareza gráfica, no fato de que os estilos dos chapéus femininos têm suas origens nos elmos do Séc. XIV, período de transição — do medieval para o contemporâneo, ou Renascença — para a o redesenho da armaria das Cruzadas, modernas e luxuosas. Outra curiosidade que nos remete à versão é o fato de que Henry VIII, do Reino Unido da Grã-Bretanha, no período da Renascença, resolve incentivar o comércio de armaria, em 1515. É o que se observa nos desenhos ergométricos dos capacetes e armaduras da época. Há, portanto, toda uma confluência inovadora de visão, não apenas humanista da época, mas, uma grande descoberta da importância do comércio externo, das relações da expansão de mercados ao oferecer diferenciais. A armaria passa a ser mais detalhada, não resumindo-se aos capacetes, armaduras e lanças. Pillbox e hood ( ou snood ), juntos , isto porque havia a necessidade do uso do hood, uma espécie de touca que também protegia o rosto descendo até o pescoço e que dava proteção à cabeça contra o metal do capacete. A toucas de lã usada como passa-montanha que só deixa os olhos à amostra ou mesmo toucas que vão até a testa, descem até o pescoço mas deixam o rosto de fora. Neste momento de transição na armaria do Séc. XIV, os elmos equivalentes aos estilos dos brimmeds, dos cloches, pillbox, casquetes femininos nasciam lá. Por sua vez os elmos teriam tido origem na primitiva touca de proteção. Pelos séculos seguintes, a evolução foi constante. Além das perucas exageradas os chapéus seguiam a mesma tendência tendo sido usados ao mesmo tempo, peruca e chapéu, com igual exagero. Este é o formato de um chapéu cloche com abas já bem largas, com quebras, inspirado na armaria Renascentista que passa a ser conhecido como brimmed ( abas largas ).
Composição muito parecida com o a rede usado com o pill-box ou toucas, no estilo Ana Bolena. Observe-se que mesmo na Idade Média, a mesma composição já era usada.


CHAPÉU: INFLUÊNCIAS DEFINITIVAS
O look bem feminino era definido nas toques, com abas bem estreitas ou sem abas. Elas eram populares desde os séculos XVI e XVII na Europa especialmente na França e um desses tipos de toque é o chapéu de chefs de cuisine, chamados de toque-blanche. O termo vem do espanhol para toca e no português, touca. As toucas consideradas como chapéus desestruturados, sem forração ou com forração, também, em tecido de forma que mantivesse a maleabilidade, ao contrário dos chapéus comuns, eram facilmente laváveis e tinha sentido de roupa íntima, pois era usada até para dormir. Durante o dia, as toucas se revestiam de rendas de fillet, laços e flores.
Com o surgimento do uso da fibra de palha, pela metade do Séc. XVII, suíços e italianos criaram uma imitação de palha feita de papel, papelão, grama e crina de cavalo o que tornou o chapéu de palha economicamente mais acessível. Surgiram, também, os primeiros — hoje reconhecidos-, chapéus femininos recebendo muitas penas, flores, frutos, tules e veludo, além de laços e fios de rabo de cavalo. A palavra "milliner" que significava fabricante ou mercador de chapéu surgiu em 1529 quando o termo referia-se ao produto feito em palha, fabricado em Milão e no nordeste da Itália se tornaram muito conhecidos como fabricantes de fitas, palhas e luvas. Os importadores de chapéus de palha tanto quanto os artesãos chapeleiros eram popularmente conhecidos como "millaners" ou "milliners" ( Milão ). Depois a denominação manteve-se mais usada para os fabricantes de chapéus. Em renda filé, tecida manualmente ( ainda não existia máquinas industriais ).
Em tratando-se de moda, o chapéu é o acessório mais visível. E vem de longe no tempo, o provérbio dizendo que ' se você quiser chegar antes, deve começar pelo chapéu '. Esse, antes, significa ser notada antes de outras pessoas. Andando paralelamente à necessidade do uso do chapéu como acessório desenvolveu-se, largamente, o ofício de hatter na Inglaterra, milliner na Itália, chapelier na França e chapeleiro em português. O uso da palavra milliner continua sendo usado com o mesmo sentido para os norte-americanos e inlgeses menos ortodoxos.
O uso de penas ou de aves mortas ornavam os chapéus em aigrettes. Aos profissionais da arte de arranjos com penas chamou-se plumassiers. O arranjos de plumas usados, ( les aigrettes ) definiam claramente o status social, sinal de estabilidade econômica e financeira. Quanto mais raras eram as penas, mas caros custavam os arranjos. Pagava-se verdadeiras fortunas por um arranjo de penas de aves exóticas. Todo século XVI e XVII as variações na moda chapeleira, basicamente, não passaram, variações das toucas, snoods ou hoods, recebendo nomes diferentes em diferentes épocas. Os hoods góticos medievais receberam leves alterações. Das toucas das serviçais, brancas e fofas, os modelos das classes mais abastadas iam ganhando diferenciações nas abas, tecidos e ornamentos usados. As mais sofisticadas eram em palha e com delicados arranjos. Das abas fechadas sobre a testa e faces, a touca foi abrindo as abas lentamente até que se tornaram oudaciosas e permitissem a visão total do rosto feminino. No Séc. XVI o barrete ( barret, ou boina ), de veludo colorido ou seda e ricamente adornado com jóias, penas etc, fez a moda do reinado de Henry VIII, da Inglaterra, estimulada pelo próprio rei. Três monarcas mulheres deram sustentação à moda da chapelaria feminina neste século. Maria I, no Séc. XVI, na Inglaterra, (1516/1558 ), Maria Stuart ( prima da futura rainha Elizabeth I com quem trocava confidências ), rainha da Escócia, no Séc. XVI (1542), Elizabeth I, considerada como grande seguidora da moda, como sua mãe, a bela Ana Bolena. Do reinado de Maria I, a Sanguinária, nada de curioso a não ser o drink que leva seu nome: o blood-mary. Contudo, as toucas, beret, bonnet, caps, bandeau, bands, hoods ou snoods, tornou-se artigos luxuosos como o exemplo do chapéu em forma de coração usado por Mary Stuart, rainha da Escócia (1542-1587) neste Séc. XVII, e conhecido como Mary Stuart cap, em formato de coração, que nada mais era do que uma touca sem abas ou um bonnet, derivado do estilo da touca francesa. Portanto, até aqui, o uso do chapéu, com luxo, ainda não era moda para o povo da rua. Já era Séc. XVII, os chapéus masculinos iam do estilo Puritano, de copa alta até os emplumados chapéus de cavaleiros. Quando os chapéus dos cavaleiros se tornaram (1660) mais largos em suas abas emplumadas viradas para cima em três cantos, nascia a fôrma do tricorne para a moda feminina. Estes mesmos tricornes retornariam séculos adiante.
Em 1700 se pode dizer que já havia uma moda de chapéus, com um processo que se transformava, quando do generalizado uso da touca francesa, de renda feita manualmente para uso das elites da Corte. A Inglaterra absorve a influência sem deixar de criar seu próprio estilo (cap lace, ou touca de renda). Toda sorte de variações introduzidas nas toucas durante esses dois séculos parecia dar a impressão de que nada mais surgiria. Só no ano de 1760 a máquina de fazer renda, por processo industrial, estaria sendo comercializada. Snood e hood têm o mesmo significado. A diferença está no fato de que a palavra snood era usada na Escócia de Mary Stuart e a palavra hood, mais empregada em Londres. O sentido é de uma touca ou faixa de tecido para proteger a cabeça. O uso de lenços amarrando os cabelos tem a mesma origem, bem como bandanas que hoje são usadas. Mesmo com a chegada das fitas, a palavra bandeau, hood, snood ou band (bandana) continuaram sendo usadas por muito tempo.


CHAPÉU: O TRANSBORDANTE SÉCULO XIX
Na época, o uso de cobrir a cabeça ainda estava regido pela relação dos códigos de poder — diferenciação de estratos sociais —, e religião. O fausto da revolução industrial do Séc. XVIII atravessou todo o Séc. XVIII, continuando a distribuir seus frutos e, para os interioranos, principalmente, a moda era a lente principal por onde faziam seus exercícios diários, treinando para o rito de passagem e se faziam notar. O Séc. XIX, trouxe transformações tão amplas e velozes como as que vivem neste nosso tempo do Séc. XX. As grandes descoberta, plena Revolução Industrial. Samuel Willeston inventou a máquina de cobrir botões em 1827, Mrs. Hancock, produtos elásticos para sapatos. W. Hunt, 1849, vendeu a patente do alfinete de segurança por apenas 200 dólares. Graças às pesquisas do químico W. H. Parks a anilina estava desenvolvida e os muitos variados tons de cores primárias. Um tipo de pigmento preto foi especialmente desenvolvido para o algodão e usado na manufatura do percal, da chita e do chitão (chintz), em 1860/63. Magentas, fucksias, azuis. Seguiu-se o coral, violetas, pinks, amarelo brilhante e todas as nuances de vermelhos, assim como os cinzas e marrons, com melhor fixador de cores. E a moda ficava mais vibrante, o que atraía a fúria dos conservadores que não conseguiram impedir sua importância p/ mundo da moda. Um dos grandes impulsos, também, para a revitalização da moda dos chapéus ocorreu quando Mackintosh, em 1851 apresentou o tecido impermeável, o que estimulou a moda de capas, guarda-chuvas e chapéus. Um outro segmento de mercado se abriu criando uma moda própria para o inverno e meia-estação. Texto do Dominio Feminino eescrito por Maria da Penha Vieira. Bem no meio deste século de grandes evoluções e descobertas importantes, novas tecnologias que faziam surgir novos produtos, desde o primeiro carrinho de bebê, criado por Charles Burton em Nova Iorque no ano de 1848 ao pequeno grampo de cabelo, 1850.
Mesmo com a chegada dos primeiro grampos de cabelos em 1850, pode não parecer, mas a verdade é que essa ferramenta a serviço da moda dos cabelos provocou imensa diferença, os chapéus continuavam inabaláveis. Os grampos de cabelos reduziam a necessidade de se precisar recorrer a profissionais com tanta assiduidade e, as senhoras e senhoritas precisavam apenas da ajuda de uma serviçal, ou de alguma das irmãs, de mãos femininas mais próximas e disponíveis para ajudar a elaborar um penteado, quando no período medieval, os pares de mãos necessários eram vários. E os chapéus se mantinham necessários ao requinte e à elegância. A máquina de costura patenteada por Elias Howe, 1790 — de cuja matriz a Singer retirou sua versão industrial e a doméstica —, só representou grandes mudanças para a moda em geral, quando em 1851 a Singer iniciou a produção e comercialização das máquinas domésticas. Antes disso as máquinas de costura industriais serviam mais para confecção de uniformes militares. As máquinas de bordar com múltiplas agulhas foram usadas, industrialmente, no ano anterior.Para "libertar" a mulher, pela metade da década de 1850, surgiu um tipo de armação com círculos, inicialmente ligados e esticados por fios de crina de cavalo e depois com fio de metal, construindo um aramado em forma de cone, o que diminuía consideravelmente a roda dos vestidos. Documentos comprovam o quanto às mulheres eram satirizadas por usar as famosas anquinhas. Foi uma época em que o casal ao saírem para fazer compras, a preferência para guiar seu cão de estimação recaia sobre o cavalheiro. O uso de chapéu adequado ao horário era imprescindível para as mulheres, tanto quanto para os homens. O uso do fio de arame passou a facilitar a feitura de chapéus femininos confeccionados em tecidos e tinha a função de manter a forma das abas para dar flexibilidade e conferir uma aparência esvoaçante em dias de sol. Com essa possibilidade qualquer mulher criava seu próprio estilo, pois, a formação das ondas ficava a critério do gosto pessoal. Durante a primeira metade do século XIX as boinas ( toque, casquette, bonnet ou boné, beret, cap ) dominavam a moda feminina, tornando-se muito largas com muitas fitas, flores, penas, pedrarias o que dava uma aparência de serem maiores do que realmente eram. Na outra metade do século, os chapéus tornaram-se maiores, com abas mais largas, penas e flores em abundância. Variação dos bonnets foram os conhecidos chapéus de pescador, os boaters em 1890. Até aqui, nenhuma senhora ou senhorita estaria bem vestida se não estivesse usando chapéu. O uso de chapéu era tido elegante somente durante o dia, mas, nunca após as 16: horas. À noite, na vida social, usava-se cabelos elaborados, no estilo mme. pompadour, adornados de laços, rendas, flores, penas, frutas e véus. À noite, nada de chapéus como até nossos dias.


Chapéu: GGI e GGIIGGI
A França e o mundo da belle époque do luxo ( 1890-1914 correspondendo à era Eduardiana, na Inglaterra ) finava com o início da I Guerra (1914-18 ), como demonstração de patriotismo as mulheres adaptaram seus chapéus ao estilo cockades ( emblema ) que podiam ser chapéus tricornes com alfinetes e fitas com símbolos de seus países, de suas posições políticas e facções ideológicas. Na versão mais simples, as fitas com alfinetes ( pins ) prendendo os cabelos, embora o cabelo longo não estivesse na moda. Os bandeaux ou bandós ( derivação dos hoods ou redes, em português ), faixa de tecido cobrindo ou apenas passando pela testa ( hoje bandanas e arcos para prender os cabelos ) arrematada com uma pena na parte detrás da cabeça. Os bandós também criaram um estilo para os cabelos e são requintados até hoje. Pequenos chapéus, influência do período de guerra, ( caps ou quepe ) ainda no estilo Cockade, sempre adornado com um broches e fitas. Era o novo padrão de mulher independente, engajada e participativa. Era natural que se o pai, ou algum irmão, ou namorado, ou o marido servisse na Marinha, por exemplo, o emblema ( cockades ) no chapéu, sem dúvida, seria o da Marinha do país. Os trajes passaram a declarar grande simplicidade, de acordo com o momento político. Nos países livres em guerra, não convinham exibições e em havendo eram vistas como ato não patriótico, entretanto há uma discrepância nesta referência quando nos debruçamos com mais atenção. A moda em geral, também, os desenhos dos chapéus foram extremamente influenciados pela I Guerra (1914-18 ) incidindo em suas formas pela necessidade de esforço de guerra, diante da escassez e da adequação das mulheres que necessitavam trabalhar fora no lugar dos seus maridos, filhos e parentes homens. O uso de uniformes nas fábricas e empresas desacelerou este segmento de mercado da moda. O minúsculo chapéu tricorne com véu, luto da viuvez, foi largamente usado em 1914, mas tão logo os primeiros tempos árduos da guerra se distanciaram, o tricorne e postillion widow ( chapéu de viúva ) usados já nos anos de 1800, no pós-guerra, em nova versão deram lugar a extravagantes chapéus de abas largas e véus que desciam até os ombros. Os chapéus de 1915 eram menos elaborados. Mesmo durante os anos de guerra os chapéus nem sempre exprimiam patriotismo e os de copas muito altas com abas largas ou estreitas, chapéus de abas largas estilo brimmed feitos em palha e adornos de fitas eram usados com as abas em ondas ( ou quebras ) para o lado ou para trás. Com a guerra, o popular foi os beret por custarem barato e por não ferir o esforço patriótico. Em 1918, os cabelos curtos e o conhecido estilo hair bob estava em voga e os chapéus que viriam a ser moda no pós-guerra, com abas de ondas suaves eram usados com adornos ou apenas confecciondos em rendas e fitas, ainda o velho cap lace de 1700 facilitado pela industrialização da renda. Toucas e barretes ostentavam plumas, flores e véus. O tricornes vinha delicados e eram usados com véus enquanto as faixas usadas na cabeça indo até à testa presa com broches de pedras ou pérolas. As faixas eram mais adequadas à noite e o material usado era o mesmo do vestido ou fazendo contrastes com seda ou veludo. Podendo, também, exibir bordados. Na moda americana, chegou-se ao ano de 1920 e as mulheres passaram a usar os cabelos mais curtos adornados com pérolas, snoods trançados em tecido com penas acompanhando a desestruturação das formas mais leves desta época das melindrosas. Os Estados Unidos da América do Norte viviam a Grande Depressão e a Lei Seca. Entretanto, apesar da crise da depressão financeira, não houve grandes abatimentos no mundo da moda. Pela metade de 1920, nos Estados Unidos ao contrário da Inglaterra, os cabelos curtos era moda e isso pedia o uso de cloches com abas estreitíssimas viradas para cima. Os chapéus mudavam em função do corte de cabelo. Depois da I Guerra, repentinamente, houve uma proliferação extraordinária de estilos e uma profusão de novos materiais como solução para os materiais em falta no mercado. A tal ponto que as mulheres passaram a ter necessidade de obter sempre a orientação das chapeleiras. (Quem sabe não tenha começado aqui, a tal consultoria de moda ). As mulheres precisavam demonstrar seus novos horizontes, o primeiro pós-anquinhas, de liberdade e responsabilidades, como as mudanças sociais e o direito ao voto, em seus estilos de chapéus, e cabelos. Ainda assim o cloche continuava muito popular, mais assimétricos e modernos. Os milliners adotavam ornamentos Art Deco além das mudanças ocorridas por conta das influências do grande crash no mercado financeiro. O ano de 1920 foi um período quando os chapeleiros usaram de muita imaginação para englobar o modo de vestir das nações mais distantes de culturas pouco conhecidas. Inspirações vinham do Egito, China, Japão e Rússia. O vestuário incluía turbantes, toucas, tiaras os quais eram reinventados pelos designers. As casas Molyneux e Lanvin já tinham lojas onde se podia comprar roupas e ao mesmo tempo selecionar o chapéu adequado. Patou, da mesma maneira confeccionava acessórios com uma seção especial para os chapéus...

GGII
Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, no princípio, o clima de guerra estabelecido transpunha-se para a moda. O patriotismo feminino refletiu-se na moda que deixava transparecer austeridade e discreção. Os homens em todas e quaisquer ocasiões estavam em seus uniformes e as mulheres despiam-se de tudo quanto pudesse parecer exagerado. Atmosfera de austeridade refletia-se na moda feminina até mesmo pelo racionamento dos materiais que eram prioritariamente dirigidos aos esforços de guerra. O diminuto tricorne e postillion eram chapéus populares tendo sido adotados, primeiramente, por mulheres viúvas de militares que adicionaram ao estilo, delicados véus de luto usados desde o séc. XVIII. Cedo, as mulheres viúvas, de gostos mais sofisticados, passaram a usar chapéus de abas largas com o véu circulando toda a aba e o comprimento dos véus ia até os ombros e no máximo do exagero, até a altura dos cotovelos, como uma tenda redonda. Nos dois períodos, na I e na II Guerras, a escassez de material disponível para a moda feminina e o alto nível de patriotismo que tomava conta dos dois lados, ainda assim, a criatividade no tocante a chapéus não arrefeceu. Uma miríade de versões de chapéus tendo como tema os chapéus militares ( os cockades ) e na viuvez das mulheres não foram desperdiçados. Nas duas épocas a moda chapeleira tornou-se mais econômica e prática, mas não perdeu a criatividade nem as mulheres perderam o charme, ou o romantismo. As influências da II Guerra na moda feminina se deram na mesma intensidade de variações no que se refere aos chapéus pela austeridade imposta pela escassez e racionamento dos materiais de confecção. Nos idos dos anos 30 e 40 a tendência foi por chapéus de copa alta com abas estreitas e por estar em tempo de guerra outra vez, essa tendência seguia em função da seda e do algodão terem sido racionados. As meias finas femininas eram reutilizadas na confecção de pára-quedas e o algodão em bandagens cirúrgicas e roupas para as tropas. A saída para as milliners foi diminuir os tamanhos dos chapéus e adotar os turbantes algumas vezes adornados com um chou, roseta feita com tule, fita, renda ou tule no mesmo estilo dos adornos dos chapéus de 1938. Aliás, os turbantes foram largamente usados após as duas Grandes Guerras. Veio a Segunda Guerra, 1939-45, e mais distanciamento dos chapéus exagerados como complemento do traje, exigência de outrora. Nos países europeus em guerra, a população vivia em permanente movimento, sempre correndo para os abrigos antiaéreos e os chapéus tornavam-se verdadeiros estorvos. Mesmo que não mais uma exigência da etiqueta e, apesar do refluxo no uso de chapéu como acessório básico da moda, após a II Guerra (1939-45), floresceu um outro mercado, o dos fabricantes de utilitários como os bonés, capacetes, turbantes ( anos 30 ), toucas e redes ( os snoods ) e outros tipos de coberturas e protetores para a cabeça e cabelos como complementos de uniformes. Mesmo assim os chapéus continuavam populares e, socialmente, absorvendo o clima da época o que foi traduzido nos chapéus inspirados nos modelos militares, como os quepes ou snoods no estilo aviador.
A tendência cada vez maior vinha influenciar a moda dos chapéus. O tricorne e postillion, estilizados, eram chapéus populares tendo sido adotados, primeiramente, por mulheres viúvas de militares na WWI, que adicionaram ao estilo, delicados véus de luto usados desde o séc. XVIII. Cedo, outras mulheres de gostos sofisticados, retornavam ao fausto dos chapéus e passaram a usar cloches de abas largas com o véu circulando toda a aba e o comprimento dos véus ia até os ombros e no máximo do exagero, até a altura dos cotovelos, como uma tenda redonda.
Mais sofisticação acontecia com os drapeados em tecido de chiffon ou organdi suíço —-conhecido como fascinator - enfeitados com rosas e véus de tule, tudo muito chic, embora nem sempre elegante. Esse estilo estava bem próximo aos já usados na I Guerra, retornando agora em 1956. De chapéu de viúva de militar, o irônico dessa moda foi que passou a ser significado de total elegância a ponto de quase nenhuma mulher se atrever a casar usando sem usar um fascinator ( ou véu, ou rede ). O tecido fino que encobria o rosto totalmente, como era conhecido em Trinidad.
Schiaparelli, o mago da moda, reconhecidamente o mais famoso deste século, introduziu o revival do século XVII e XVIII, na forma dos modernos snoods em 1935. O snoods que podem ser vistos como toucas ou redes se tornaram uma febre por serem práticos, baratíssimos e extremamente adaptável à hora, à ocasião e ao estilo pessoal podendo ser usados durante o dia e à noite - pediam mais sofisticação - manteve-se como o principal método de livrar os cabelos femininos das máquinas nos tempos de guerra para as mulheres inglesas. Tecida em crochê, a rede ficava mais fácil e menos dispendiosa para que se criassem novos modelos de redes que apareciam à venda em magazines e em todo lugar. As composições, dependendo da criatividade, podiam ser usadas com a associação de snood e pillbox no melhor estilo da armaria do bom e velho Séc. XVI.
As possibilidades dos snoods eram muitas. Desde noods de linha de crochê, tule, passando por fios de pérolas para compor a rede, snoods de algodão, seda, tafetá e veludo e renda podendo ser bordados ou lisos ornados com rossetes, penas, fitas e flores. Dependendo do que era escolhido o uso tanto se dava durante o dia quanto à noite com requinte fashion no social. O snood tanto podia ser desenhado para usar cobrindo toda a cabeça como apenas detalhe para valorizar o penteado ou ainda, usar juntamente como um chapéu no estilo pillbox. Os barrets em geral, com ênfase nos barrets inflados, fez parte desta nova época de leveza dos chapéus. Dessa liberdade de criação surgiu uma imensidão de designers produzindo novos estilos, mas, poucos foram os que se tornaram universalmente populares e perduraram no pós-guerra. Surpreendemente delicados, os chapéus surgiram em 1940, chamados de chapéu de boneca, ( mas acabaram sendo proibidos por utilizar material sintético necessário ao fabrico de pára-quedas ), novos bonnets com abas retas, inicialmente, ou boater (boater, breton, saillor ou marinheiro ) delicadamente guarnecidos com fitas, flores e tule na parte de trás, muito usados por jovens tendo sido adotado por escolas sofisticadas como parte de seu uniforme, no estilo francês, com as abas voltadas para cima. ( criado em 1890 ). O novo estilo de Nova Yorque, em 1947, trazia chapéus, no estilo bonnet, menores e de formas mais suaves. Eram usados para trás ou para frente da testa.
As viúvas o usava com o véu cobrindo o rosto. Aqui o modelo se apresenta com uso de hood ( rede ).
Nova variação dos anos 20 voltaria remodelada em 1949 nos cloches de abas estreitas, que não mais se afundavam na cabeça indo até as sobrancelhas, mas, agora os cloches deixavam a amostra um pouco mais do rosto e dos cabelos além de seu uso permitir que não mais fosse enterrado na cabeça. Livremente podia-se usá-lo quebrando para o lado. Mais adiante, ganharam pequenas abas que nos dias de atuais são mais largas. Já neste ano, cada vez menos as mulheres faziam uso do chapéu no dia-a-dia. As mulheres usufruindo de liberdades individuais não significou impeditivo para que novo segmento de mercado viesse a florescer industrialmente. Lojas de departamentos ofereciam novas formas de chapéus utilitários com finalidades específicas como: toucas de banho, bonés para prática de novos esportes como natação, ciclismo, golf, patinação, equitação, e outros, onde as mulheres já competiam. No uso social, pelo ano de 47, em pós-guerra, os chapéus vieram menores, com mais contenção de material. Surgiram os cocktails hats, os doll hats, fascinação, profile, inovações nos snoods, os mais populares consagrados pelas estrelas do cinema americano. Os cloches sofreram modificações extremas até ganharem abas mais largas e variações nas quebras. O fato de haver diminuído o uso do chapéu por parte de muitas mulheres, nos anos 50 as novas formas de chapéus eram variadíssimas indo dos modelos usados apenas no alto da cabeça como os casquettes, fascinations estilizados, variações diversas dos snoods e também o pillbox, menor usado diretamente na cabeça até o meio da testa. Para o pillbox o corte ideal era uma derivação do estilo Chanel, pouco bufantes. Por volta de 1950 com a chegada do ready-to-wear o segmento das confecções de roupas roubavam espaço dos milliners no meio da moda massificada. Igualmente durante a II Guerra muitas mulheres que nunca haviam trabalhado se viram empregadas por necessidade. Esta nova situação significava, no entanto, que não havia mais tanto tempo e energia disponíveis para gastar com rebuscada.

Um comentário:

Deyse Joyce MdS disse...

Oiiii adorei a postagem, parabens pelo blog, é ótimo!!!

Tenho uma tag parecida no meu blog, se chama cultura (in) util, e conta a origem de varias coisas, te vi no face, estou te seguindo, segue de volta???

www.deysejoyce.com

Bjins